Crisis

By Dom Quixote

No primeiro post deste blog, as palavras iniciais foram a letra de Carpathia – nova música do Taking Back Sunday naquele momento.  Semana passada saiu o primeiro single do New Again: Sink Into Me. A música é legal, mas não tão boa o suficiente para merecer mais comentários. Isso tudo foi apenas uma comparação para relembrar o começo desse antro de inutilidade e resolver dar uma geral aqui.

É incrível – e repetirei o que disse no primeiro post – como tenho tendência a criar blogs em fim de ano. O negócio parece mais lógico quando você se dá conta que essa é uma época de extrema nostalgia, momentos de ócio e reflexões babacas. Nada melhor do que extraí-las para um seleto público de ninguém, além de você. E foi isso que eu fiz, no fim das contas. Como já disse, o intuito principal do blog foi mantê-lo por um ano em uma época que, espero eu, seja a última da minha vida: preparações para o vestibular. Cursinho. All these stuff. Bom, realmente é isso que eu ainda pretendo fazer e tal, e foram poucos os posts que andei fazendo durante a época preterida até então (se bem que isso é bom hahaha). Acho que apenas tive uma pequena crise de vergonha lendo os últimos posts, os últimos comentários de filmes vistos e vendo como tudo se tornou automático e chato. Ao mesmo tempo que sei que faço tudo isso apenas para mim mesmo, não posso deixar de notar que a repetição da minha infame vida acaba entediando não só a você, caro leitor… Mas também a mim!

É claro que o modelo de postagens não mudará drasticamente daqui para frente – são apenas observações. Continuarei recomendando tudo de bom que eu ver pela frente, mas de forma mais seletiva e detalhada. Os resultados virão futuramente em posts menores, específicos e mais numerosos.

Os dias têm sido mais ou menos. Não vivo uma crise só no blog, mas também na minha própria vida. Amigos vêm e vão como num piscar de olhos… Espero que isso seja passageiro e que eu me arrependa do que estou escrevendo. E quanto ao cursinho, tudo tem sido bem produtivo, ultimamente. Só espero que os fusos horários sejam resolvidos até semana que vem auahuahuhau.

Mas chega de falar de cursinho. O que mais tenho pensando ultimamente é na educação. Vocês já viram aquele documentário Pro Dia Nascer Feliz? Fala sobre as disparidades das escolas brasileiras e eu recomendo demais pra você ver. Assisti ele na aula de Sociologia do ano passado e me arrependo de não ter comentado muita coisa dele com a professora. E era isso que eu ia dizer: me arrependo de não ter aproveitado melhor as aulas de Sociologia, Filosofia e História. Entretanto, devo relembrar que meu interesse por essas áreas só veio de dezembro do ano passado pra cá. Mas ah, eu deveria ter desenvolvido esse gosto anteriormente hahaha. Enfim, eu falando essas coisas é muito idiota, mas você não sabe como eu me empolgo quando tenho metas. Pra quem, no primeiro ano, queria fazer Publicidade, fixou a ideia no segundo e no início do terceiro, deu uma boa virada. Cara, mais do que nunca [/Fausto Silva], eu sei que Jornalismo é a profissão da minha vida. Mas não só isso: o bacharelado de História e Filosofia tão aí. Tudo bem que eu tô parecendo aqueles babacas que, só porque recem leram O Mundo de Sofia, acham que podem ter alguma carreira nessa área. Pô, o livro deve ser raso mesmo para um professor da matéria, mas me deixou de boca aberta e é um verdadeiro aprendizado dos filósofos de diversas épocas. E eu quero estudar mais a fundo isso. Sei lá, cheguei à conclusão de que o melhor modo pra tentar entender e solucionar os problemas de hoje são rever toda nossa história, todas nossas sociedades passadas e alinhar isso à pensamentos e correntes de filósofos – claro, extrair o melhor delas e não dar uma de Aristóteles, que considerava as mulheres inferiores, por exemplo hahaha mongolão. :P Enfim, me vejo trabalhando tanto numa redação cheia de pessoas estressadas, como escrevendo uma monografia sobre a educação no Brasil e com soluções de aprimoramento. Tudo que sei é que meu objetivo é mais simples do que parece: marcar a minha existência, fazer algo de valor nacional/universal. Entrar pra história também me gustava, mas calma hahaha.

Mas vamos a algumas notícias corriqueiras: ultimamente, o que mais vem se comentando no cursinho é sobre o novo vestibular. Pois é, tá por fora do que tá acontecendo, né? Eu explico: o MEC (Ministério da Educação) começou com um projeto de vestibular unificado. No fim de março o negócio foi aprovado e, em algumas universidades, já vai começar no próximo ano! E você se pergunta: QUE QUE É SAPORRA? Eu explico, eu explico…

O que acontece é que o ministro da Educação teve a “brilhante” ideia de criar uma espécie de Enem pra geral. O vestibular antigo se foi. Ó, na tua cara, o negócio é o seguinte: o país todo fará a mesma prova, ao mesmo tempo, no mesmo dia, substituindo todo o processo de vestibular que já conhecíamos. Revolucionário, não? Pois é, e com essa ideia de inclusão que o ministro acha que as diferenças acabarão. Tsc.

Falo superficialmente sobre o assunto até aqui porque não são conhecidos muitos detalhes do negócio – na verdade, tudo anda meio confuso. O que se sabe é que o vestibulando escolherá 5 faculdades e fará a tal prova unificada para as instituições escolhidas. É a alternativa apresentada para as pessoas que não podem prestar a prova em mais de um lugar, devido a custos de transporte e tudo mais. Mas… e se todos paulistas resolverem se inscrever nas universidades do Norte? Há, claramente, um alto desnível de preparação entre estes dois tipos de candidatos. Estados roubarão as vagas de outros estados? E mais: se eu não passar na prova, não passarei nas 5 faculdades. Mas a ideia não era justamente você ter 5 oportunidades, 5 provas diferentes, para ganhar mais chances?

Isso sem contar a questão mais óbvia de todas: como realizar a prova para todo mundo? O que se sabe é que será uma mistura de Enem com vestibular – segundo o ministrio, uma prova mais perto da realidade do estudante, menos conteudista, menos memorizada. Tudo bem, eu concordo. Mas… Geografia, Literatura, História, todas estas matérias têm, de certa forma, suas regionalizações. Eu, gaúcho, estudo mais o enfoque do relevo rio-grandense, e não o nordestino. Estudei sobre autores gaúchos da literatura. Então, como fazer uma prova nacional, se nosso ensino tem tantas diferenças de região pra região? E também: como arranjar um horário, um dia para todo mundo realizar o teste? Dia desses li no jornal uma menina perguntando se o MEC pensou nas pessoas de religião X que não podem fazer a prova no sábado, por exemplo. E aí? :P

Eu entendo que tipo de prova o ministro da Educação quer alcançar. Bem, eis que lhe apresento a UFSM. A Universidade Federal de Santa Maria, desde 200X resolveu fazer provas interdisciplinares. So what? O que buscam é justamente isso: uma prova mais inteligente, que reúna e encaixe os conteúdos das matérias em várias questões e que forcem ao pensamento, não à decoreba. Na UFSM, as provas são feitas em três dias (quatro com a redação) e é dividido, por exemplo, em Geografia, Biologia, História e Filosofia em um dia. Português, Física, Inglês, Filosofia noutro. Química, Matemática, Literatura, Filosofia em mais outro. Sim, Filosofia cai em todos os dias e é justamente a matéria que mais “pega das outras” questões para si: você pode analisar uma questão de lógica como se o seu conteúdo de química fosse falso, mas lógicamente falando, ele estaria correto, por exemplo. Geografia e Biologia também confudem os alunos, não deixando eles saberem qual matéria estão respondendo. E isso é bom! As últimas provas da UFSM, com conteúdo interdisciplinar, têm arrancado elogios – e de fato, estão mais inteligentes.

Outra coisa que acabaria com o novo vestibular unificado seria o PEIES, que é um sistema de ingresso alternativo à UFSM. A universidade criou uma prova para os alunos do Ensino Médio. Por exemplo, no 1° ano, você faz sua primeira prova do PEIES, com toooodo o conteúdo que teve. E assim por diante. Sabe, eu também não acho o vestibular a prova mais justa que tem, porque sabemos que não são todos que tem um bom estudo nas escolas públicas, assim como não são todos que podem pagar um cursinho e se dedicar um ano inteiro nele. Mas essa unificação é um absurdo. Estão tentando encobertar um problema nas raizes, tapando com uma medida pseudo-democrata. Não, não, não creio que isso dará certo, não. O PEIES é o que considero de mais “democrático” atualmente no Ensino – e que deveria ser criado por mais Instituições de Ensino Superior.

Bem, mas vamos ao que interessa: no Rio Grande do Sul, a UFRGS (Federal de Porto Alegre) adotará o sistema “Enem” no vestibular de 2011. a UFPel (Federal de Pelotas) adotará já no de 2010. FURG (de Rio Grande) possivelmente também. Vale notar, porém, que a UFRGS já disse que fará a prova nacional apenas como primeira fase. Os que passarem, resolverão uma prova discursiva preparada pela própria Instituição. Sim, discursiva! Já com as novas regras ortográficas! E a UFSM, que ME interessa? hahaha. Pois é, o reitor declarou que é contra a prova e que, pelo menos no próximo vestibular de verão, ainda teremos a normalidade que conhecemos. Na verdade, ele disse que nos “próximos anos” continuará tudo como está – até porque, se a Universidade adotar esse método, o PEIES acaba; e é necessário, pelo menos, que as turmas que ingressaram neste ano se formem.

Enfim, a educação tá toda uma bagunça. E o que os professores andam dizendo é simplesmente: te mato se tu não passar ano que vem. AUHAHUHUA Pois é, amigos, talvez o vestibular que eu prestarei em 2010, na UFSM, seja o último normal. Vai saber. Minha última chance? É, acho que tenho que aproveitar, né hahaha.

E eu já ia me esquecendo, mas preciso comentar sobre esse livro. CARA, pra quem nunca leu Saramago, peguem O Homem Duplicado. MUITO FODA. O enredo parece sacal: um professor de História (haha) assiste um filme e vê um ator idêntico a si em cena. Pra quem não conhece o estilo do Saramago, esse é uma boa pedida. A trama se desenrola rapidamente no começo. No meio, começam as viajadas típicas – mas até lá você se acostumará com tudo. E o final, CARA. É surpreendente. E me deixou pensando por um bom tempo. Sério, leiam.

Pra finalizar o post, nada melhor do que falar sobre inspiração. Bem, finalmente terminei de escrever o Alexandria. Quem sabe o link do blog, acessa e lê, por favor :P Depois de um período de hiato, voltei à ativa, amém. Porque já estou com ideias para um novo texto, bem diferente dos dois últimos (que não tinham muita narrativa e eram mais um conjunto de coisas que vinham à minha cabeça aleatoriamente). Mesmo que o Alexandria tenha sido mais organizado que o Cortando Palavras e Guardando as Sobras, mesmo que eu insista que ele é mais racional, preciso confessar que, depois de um tempo, acabei voltando ao estilo antigo novamente hahaha. O resultado é que eu esperava que ele ficasse melhor, mas foda-se. Não aguentava mais segurá-lo e postei. Acho que algumas partes ficaram exageradas, mas tudo bem.  Sobre o novo texto, ainda não comecei. A ideia veio ontem. Não tava conseguindo dormir e aí sabe como é. E será uma delícia escrevê-lo – o tema é ótimo e eu só contarei depois que mostrar pra quem interessa mwahuauhahua. Mas já tem título: Pestilência.

Bueno, o próximo post será como alguns outros. Falarei sobre Camus, mui provavelmente… O cara é foda, sem mais delongas hahaha. Mas isso já é assunto para outra hora.

O post ficou um pouco pessoal, por isso não me arrependo de não ter mostrado o blog para meus amigos :P No fim das contas, resolvi divulgá-lo apenas no twitter. Como ele é bloqueado, poucas pessoas terão acesso. E essas poucas pessoas são legais e confio nelas. Ah, e não se acanhem, podem comentar, xingar e tudo mais.

Listening: My Dying Bride – The Whore, The Cook and The Mother

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Uma resposta para “Crisis”

  1. acácia Disse:

    É, essas mudanças são tão toscas. Eles deviam se preocupar em melhorar o ensino nas públicas e não fazer mais coisas erradas pra tentar camuflar a bola de neve que só aumenta. er. O que me preocupa também são as cotas para os da escola publica, eles tão aumentando MUITO. É ridículo e injusto! Quando eu estiver prestando vou me ferrar com todas essas mudanças. Tem uma teoria obscura aqui em SP sobre a USP rs. Diz que tão querendo diminuir o potencial da faculdade pra vendê-la depois, não duvido muito. Quase 3% da renda de SP vão pra lá e já tem alguns cursos desvalorizados e perdendo pra faculdades privadas. Não to entendendo mais nada, ninguém tá. Minha escola já começou a implantar essas questões interdisciplinares e questões com a montagem do ENEM/UNICAMP. Quero só ver no que isso tudo vai dar. Você tem que passar esse ano e se livrar logo disso. Ahusfhuashuf

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