A alegria voltou

04/08/2009 por Dom Quixote

É, eu também não sabia que título dar pra esse post, já que ele não fala de tempo nem nada. Mas resolvi colocar isso porque tenho escutado bastante essa música do Cachorro Grande

UPDATED: o título não tem nada a ver com alegria. MUITO MENOS com tempo. AHUAUHAUHAHU

Nesse fim de semana assisti dois filmes: Irreversível e Queime Depois de Ler. Quem conhece os dois sabe o quão opostos eles são. De fato, aparentemente são, ao mostrar visões completamente diferentes. Porém, são visões que retratam um mesmo tema: a realidade, mais crítica e crua do que nunca. É interessante fazer a analogia entre os dois filmes e é disso que vou falar.

Começando por Irreversível. Talvez você nunca tenha escutado nada sobre ele, mas saiba que ele foi bem famoso quando mostrado pela primeira vez em Cannes, no ano de 2002. E depois, nos cinemas, a polêmica ficou ainda maior: várias pessoas saíam da sala durante a exibição do filme. Mas por quê? O que ele tem de tão diferente assim?

Pra começar, Irreversível é contado de trás pra frente. Sim, isso significa que o começo é o fim e o fim é o começo. Pretensioso? Eu gostei, e já explico alguns detalhes que o filme ganhou com isso. Bem, é impossível falar de Irreversível sem revelar maiores detalhes da trama e, principalmente, porque a trama é realmente curta mesmo. Talvez você se decepcione ao saber que as imagens mais importantes dele estão na sua primeira meia hora e que depois ele cai no “banal”, mas esse banal é justamente a nossa mais pura realidade.

2003_irreversible_004

Bueno, aos fatos: Irreversível ganhou toda essa polêmica por ser um filme extremamente violento. Principalmente em duas cenas, mas há também outras pequenas coisas aqui e ali que tornam incômodo a sua exibição. O enredo é o seguinte: Marcus é namorado de Alex. Pierre é o ex dela e é amigo de Marcus. Os três vão a uma festa e Alex acaba brigando com seu companheiro. Nisso, ela sai mais cedo e, tcharãm, é estuprada em um túnel. E sim, uma das tais cenas fortes inclui o estupro. Feito em um único take, longuíssimo, é incômodo MESMO de assistir ao ato e à incrível interpretação da Monica Bellucci, que não pára de se debater e gritar um minuto. Outra cena violenta do filme é quando Marcus e Pierre vão atrás do estuprador em uma boate gay lá dos cafundó da França (depois de algumas pistas dadas a eles, é claro). Sem contar detalhes sobre o que aconteceu, mas indo direto à cena, vemos um cara sendo violentado por um dos protagonistas com um extintor até ter sua face completamente desfigurada. Há uma antítese total com a outra cena do estupro: enquanto que aquela é silenciosa (mesmo com os gritos, o que permeia ali é a solidão e a vontade de ‘ajudar’ Alex a sair daquela), aqui temos um bando de gente em volta da briga. Um completo caos em meio à violência.

Conforme o filme corre, temos a descontrução dos personagens e vemos seus eus verdadeiros, por assim dizer – já que temos que levar em conta que o começo do filme nos mostra uma situação em que eles estão completamente alterados. Essa é uma das coisas mais legais do filme, vendo essa espécie de “evolução ao contrário”. Quanto mais nos aproximamos do fim (ou do começo do roteiro, como queira), mais temos cenas cotidianas, de namorados que vivem juntos, de amigos que conversam sobre bobagens, enfim (apesar de que alguns takes são tão longos que quase caímos no sono, mas tudo bem).

Após o fim do filme você fica de boca aberta por tudo que assistiu. A primeira coisa que pensei foi: essa violência toda que assisti foi forçada ou não? Afinal, eu acho que fui o único que não gostou do tão cultuado Trainspotting por justamente ter achado que a maioria das cenas eram feitas apenas para chocar o espectador. O caso se aplica ao Irreversível? Nas duas cenas que relatei, por incrível que pareça, não. Há exagero, sim, mas ele está concentrado mais nas pequenas coisas – o começo inteiro do filme, por exemplo, e tudo que se desenrola antes da cena do extintor é tão desconfortável quanto ver o rosto do ator desfigurado aos poucos. Há outras coisas mais desnecessárias que nos são mostradas. Mas estes são casos apenas para nos questionar quanto à gratuidade das cenas. Elas mesmo são interessantes de serem vistas e o filme é mais do que recomendado.

Já Queime Depois de Ler é um filme de comédia! Completamente antagônico ao outro, à primeira vista. Esse você deve ter uma ideia mais ou menos de como é, pois é recente. Foi lançado em novembro do ano passado, se não me engano. Enredo: Osborne Cox (o tio Malkovich) foi demitido do seu emprego na CIA por ser um bebum. Resolve escrever um livro de memórias. Sua esposa (a Tilda Swinton, que ganhou o Oscar de Melhor Atriz por Conduta de Risco. Sim, aquela que é feia pra caralho) quer se divorciar dele, já que ela é periguete do Harry (o George Clooney, no papel mais canastrão ever). Então, seria massa se ela conseguisse pegar as bombas que ele estaria escrevendo sobre a CIA e usar contra ele no processo de divórcio, já que ia acelerar e tudo o mais. Porém, os arquivos acabam parando com a Linda (Frances McDormand, esposa de um dos Coen, por isso que ela participa de mais da metade dos filmes deles. Mas sem brimks, ela tá legal nesse filme) e com o Chad (Brad Pitt, fazendo o papel mais babaca e engraçado de todos).

rr

Após essa pedante descrição que nos é obrigatória, vamos ao que interessa: Queime Depois de Ler é um dos melhores filmes de comédia que vi nos últimos tempos. Primeiro porque é difícil pra caralho achar um bom assim (de cabeça, os únicos que eu vi esse ano e que eram tão bons quanto, no mesmo gênero, seriam Royal Tenenbaums e Annie Hall. Sim, são cultuados, mas convenhamos que comédia babaca que tem em qualquer prateleira é das mais inúteis e de perda de tempo) e segundo porque ele tem uma relativa profundidade em sua crítica. Quando eu fui pegar o filme, a atendente me fez uma séria observação: “CUIDADO, ninguém gostou dele e não entenderam direito”. Ok que eu pensei que ele não era tão complicado assim, mas vamos lá.

Bem, talvez o mote principal do filme, pra que você o entenda e ria dele é… se identificar. E se identificar sabendo que absolutamente TODOS personagens desse filme são idiotas e babacas. Desde o Bradd Pitt mudando sua voz para se fazer de chantageador, falando shit a toda hora, passando pela Frances, que apenas quer realizar suas cirurgias plásticas, pelo Clooney, um mulherengo que metade das mulheres vão sair dizendo que já conheram um parecido na vida,  até a tão séria Tilda Swinton, desconstruindo totalmente a imagem da mulher independente e bem estabelecida. Sem contar que em um dado momento do filme, temos uma reviravolta bem inesperada. Acho que é um dos filmes de comédia mais bem feitos que eu vi nos últimos tempos.

Queime Depois de Ler nos mostra a realidade babaca em que vivemos através de algo aparentemente fantasioso. Não adianta, simplesmente aceite sua porção vazia e idiota e ria do filme. Já Irreversível trata da mesma realidade da maneira mais crua possível: enquanto que temos um caos em uma boate underground da França, temos o mesmíssimo caos em uma festa dentro do apartamento de pessoas jovens e de classe alta. Foi até engraçado ver no mesmo fim de semana dois retratos do mundo de pontos de vista tão diferentes nos filmes. Mas, embora tão aparentemente contrários, ambos até se complementam, já que um se foca mais na ação e na sociedade; o outro é mais no individualismo e no vazio que cada um carrega. São filmes realmente interessantes e que qualquer um deveria assistir uma hora.

_____

Bueno, decidi postar sobre estes dois logo após assisti-los. Fazia tanto tempo que eu não via filmes e tava louco pra falar sobre alguma coisa. Como deu pra ver, minhas férias chegaram. A primeira meta foi cumprida já no primeiro fim de semana: ficar bêbado. Por deus, há tempos que eu não me divertia hahaha. Mas agora estou num marasmo total e sem o que fazer – não sei que filmes mais assistir, tô com preguiça de estudar, tô com preguiça de terminar meus livros. E falando em livros, li Hollywood, do Bukowski, mas eu quero comentá-lo depois que terminar On The Road, do Kerouac, pra fazer uma breve analogia entre os dois. No mais, espero que minhas férias não sejam adiadas por conta da gripe.

No mais [2], eu teria vários CDs pra comentar. Cachorro Grande, Florence and The Machine, Arctic Monkeys, Iggy Pop… tenho a impressão de que fiz essa mesma reclamação no último post, hum. As coisas não andam evoluindo ahuahuahu. Em breve virei com endereço de um outro blog. Um que eu já tinha faz um ano no blogspot, mas que agora o wordpressarei. Sim, deu vontade de mostrar meus textos pra vocês.

Aguardem novidades inúteis nos próximos posts, abraços.

Listening: Macaco Bong – vamodahmaisuma

De vento que traz mudanças, gosto de câncer e imperativos categóricos

19/07/2009 por Dom Quixote

Buenas, buenas… Mais um post para mais uma lembrança desse ano esquisito. Passado Junho, agora estamos em Julho e as férias de duas semanas de inverno se aproximam. Muita coisa aconteceu nesse último tempo que eu tenho que comentar com vocês. A primeira de todas e a mais óbvia, é claro, não poderia deixar de ser: o diploma de Jornalismo deixa de ser obrigatório para quem quer exercer a profissão.

Bom, se alguém nunca leu nenhum outro post desse blog, precisa saber que eu pretendo fazer Jornalismo. Logo, essa notícia interessa muito mais a mim do que aos outros. Entretanto… devo confessar que não senti nenhum impacto muito grande quando li ela. Por quê? Pois bem, há vários motivos.

Logo quando foi divulgado pelo STF que o diploma não seria obrigatório, lembro que a comunidade no Orkut do Jornalismo encheu de posts de gente reclamando. Estavam desesperados, sentiram-se desvalorizados, perderam a superioridade da sua profissão. E eu fiquei com a mesma cara que eu tava antes de saber da notícia. Sim, cheguei a refletir se a minha reação “fria” frente à notícia não significaria uma… falta de paixão pela profissão. Mas logo após, encontrei pessoas com linhas de pensamento semelhantes às minhas.

O que mais me irritou nessa história toda foi ver um povo se descabelando e perdendo a pose, gritando para o mundo que “ah, agora todos podem ser jornalistas :/”. Confesso que me irritei muito com esse tipo de gente que glamourizou a profissão de tal forma que agora que ela não requer mais diploma pra ser exercida está fadada ao normal, ao alcance de “qualquer um”. Meus caros, convenhamos: o mesmo normal e “qualquer um” pode fazer tranquilamente a faculdade de Jornalismo e passar. A graduação em si não representa lá muita coisa. A própria técnica que se aprende na faculdade – de redação, de escrita, de fotojornalismo (bleh) – é algo absolutamente fácil de ser concluído. É óbvio que eu não quero desprezar todo o ensino de uma faculdade, mas sim mostrar que tudo que se aprende nela, na parte do jornalismo mesmo, é algo que, facilmente, poderia ser desenvolvido por todos.

Então essa falta de diploma serviu para distinguir melhor as coisas? De certa forma, sim. Veja bem: o Jornalismo vai muito além de uma faculdade que preza formas diferentes de escrever. Entretanto, se formos ver do ponto de vista da própria faculdade, o ato de “saber escrever” é bem amplo. Logo, quem simplesmente “sabe escrever” poderia exercer a profissão de jornalista. Mais uma vez, do ponto de vista da faculdade. Agora, qualquer um pode ser mesmo um jornalista?

Do ponto de vista do SFT, eu até concordo com o que eles tentaram dizer. Eles não se referem exclusivamente à profissão de jornalista. Eles se referem a expressão de liberdade dos leitores. Claro que pra se ter expressão não significa que deva ser cortado um diploma de uma profissão, mas consigo entender a linha de pensamento deles. Seguinte: o que tentou se valorizar mais é a pessoa que sabe escrever bem e conhece bem determinado assunto. Essa pessoa, é claro, não será jornalista por motivos que direi no próximo parágrafo. No que essa mudança nos ajuda? À nós, sociedade, apenas ganhamos. Veremos mais constantemente a presença de artigos de pessoas especializadas na área. Um exemplo que li e gostei muito foi o do Historiador (haha, claro, porque eu mesmo quero fazer Bacharelado em História depois :P ). Se um editor pede para ser escrito determinado artigo sobre um assunto X de História e você tem a disposição um jornalista que entende um pouco do assunto e um historiador que escreve bem, qual seria sua escolha? Olha, considerando que jornalistas geralmente são péssimos historiadores… hahaha, é claro que escolheríamos o historiador. É nesse sentido que o corte da obrigação do diploma nos beneficia.

Mas por que essas pessoas não são consideradas jornalistas? Por que a afirmação de que agora todo mundo é jornalista é incorreta? Não quero aqui colocar a diferença entre um verdadeiro jornalista e o jornalista que agora todo mundo pode ser. Não. O “jornalista que qualquer um pode ser” simplesmente NÃO É jornalista. Veja bem, eu não quero necessariamente defender a minha profissão e colocá-la num patamar acima das demais, porque isso é uma das coisas que mais repudio. Porém, temos que compreender o significado de ser um jornalista.

Jornalismo não é saber escrever bem. Jornalismo não é conseguir resumir notícias, criar um título bonitinho, sentar a bunda na cadeira, copiar notícias da Internet e dar uma cara nova à elas. Jornalismo não é faculdade que ensina a pegar no lápis. Jornalismo, meus caros, é curiosidade, é a tomada de consciência pelo mundo e é estar ligado no que acontece ao seu redor todos os dias. Jornalismo, pra mim, é sair atrás, é correr. É ter vontade de sobra, uma dose de dom e de talento e, lá nos últimos instantes, uma boa escrita – requisito mais do que básico, não considerem isso uma desvalorização ao bom português.

Falei tudo isso, MAS, ENTRETANTO, TODAVIA, eu sei que parece que este discurso foi contra a faculdade. Meu velho, tu acha que quem quer mesmo fazer Jornalismo vai deixar de prestar a faculdade? Tu acha que quem quer mesmo fazer Jornalismo simplesmente vai deixar de escrever bem? hahaha digo essas coisas só pra esclarecer melhor o meu ponto de vista. Eu? Eu tô é mais feliz, isso sim. Já vi várias pessoas desistindo da faculdade porque “desvalorizaram a profissão”. Melhor pra mim, que terei menos concorrência. Sigo com o mesmo ideal de querer me formar em Jornalismo, que é a profissão da minha vida, disso eu tenho certeza. E na boa? Eu confio em mim e eu sei que serei um ótimo profissional. Não tenho medo de quem diz que a concorrência agora será maior. Por enquanto, eu me garanto. :)

Fazendo já um gancho para o cursinho, lembro que nas últimas aulas de Filosofia consegui mais um argumento quanto a essa não-obrigatoriedade aí. Estávamos estudando ética e temos que ver ela analisada em diversos períodos. Então, começou-se com a grega. Aristóteles falava sobre as virtudes práticas e as virtudes intelectuais – foi aí que eu fiz um paralelo com o assunto. A faculdade nada mais é do que apenas uma virtude intelectual: o ato de saber. O jornalismo, esse sim, é uma virtude prática: o ato de exercer até chegarmos à excelência – o equilíbrio entre o excesso e a falta. E acho que é aí que mora tudo mesmo.

Mas enfim, já mudando de assunto direto para o cursinho, as coisas estão boas. O último mês foi desgastante e as férias vêm na hora certa. As aulas, é claro, boas. Continuando na parte filosófica do negócio, nesses últimos dias que estamos vendo ética, simplesmente minha dúvida de que eu quero fazer a faculdade de Filosofia após Jornalismo se foi. Por mais que meus pais queiram que eu tenha mudado de opinião, agora eu tenho certeza que quero MESMO fazer a faculdade hahaha. Tudo por culpa daquele tiozão lá, o Kant. É, eu sei que eu disse que o que menos queria era um monte de professores babacas na facul citando filósofos e se achando os fodas, mas esse cara aí, de fato, merece. E o pensamento dele tem utilidade prática, que é o que mais importa.

Essa sexta encontrei casualmente minha ex-professora de Historia e Filosofia que eu tanto falo nos outros posts. Nessa segunda irei na casa dela durante a aula de redação (hahaha, que jornalista filho da puta que eu sou) e conversaremos melhor. Mas numa rápida passagem, eu tive que falar do meu deslumbramento :P O que fez eu achar o Kant tão foda é que ele compartilha de um pensamento que eu já tinha há tempos e que você também deve ter. Lembra no carnaval desse ano, quando aquele Neguinho da Beija-Flor teve um câncer sei lá onde e doou mó grana pras crianças que também têm o mesmo câncer que ele? Na época, achei uma putaria a ação social dele. Claro que ela é valida, afinal, ajudar é sempre bom. Mas qual foi a intenção do Neguinho? Ele queria ajudar ou ele queria que as crianças não sofressem como ele sofreu? Ele ajudou por ajudar? E se ele não tivesse desenvolvido o câncer, será que ele, algum dia, ajudaria essas crianças? São coisas assim que me fizeram ficar puto e o Kant fala exatamente sobre isso: a intenção da ação, a forma com que é feito. Eu achei simplesmente incrível e tô louco pra ler mais alguma coisa dele. E, é claro, a vontade de cursar a faculdade só cresceu mais ainda.

Eu ando tão paranóico com negócio de faculdade que dia desses tive uma aula de Geografia tão foda que deu até vontade de cursar só pra ver geopolítica ahuahuahuahu. Preciso definir melhor meus gostos, mas sou contra fazer uma profissão e se especializar. É, eu sei que o mercado exige isso, mas fazer o quê, tenho mais vontade de estudar coisas amplas do que minimizar tudo. Mas enfim, vamos primeiro passar em Jornalismo e depois pensar no resto.

Que mais escrever? Li Pulp, do Bukowski, li As Uvas e o Vento, do Pablo Neruda e li Cem Anos de Solidão, do Gabriel García. Mas não tô com vontade de falar sobre nenhum desses livros. Há séculos não vejo filme. Há dois meses tenho aula todo santo domingo, direto. Não lembro mais do gosto do álcool. Ganhamos os jogos de inverno do cursinho e o prêmio é um freezer lotado de ceva que parece que não vai sair nunca. Minhas inspiração pra escrever textos é extremamente instável e no fim das contas já não sei mais qual ideia desenvolver. Escutei o melhor CD do ano dia desses. É, surpreendentemente, o do Cachorro Grande, banda que nunca foi lá essas coisas mas que evoluíram absurdos no Cinema. Eu deveria falar da Florence and The Machine, mas acabei de começar a ter uma dor de cabeça. E daqui a uma semana, férias. Espero postar alguma coisa nesse espaço de tempo, mas isso não é promessa. Promessa de postagem nunca é válida, não as cumpro jamais.

É isso, até más.

Listening: Joy Division – The Eternal

Sobre teorias e vestibulares extraordinários

07/06/2009 por Dom Quixote

Bueno, faz um tempo que postei da última vez, não? Pra variar hahaha. Mas é que ando ocupado ultimamente… depois explico melhor. Pela ordem dos fatos, primeiro tenho que falar sobre uma festa de reencontro de ex-estudantes da minha escola que ocorreu há mais ou menos um mês atrás.

O que teria de mais num evento desses que mais parece ter saído de algum filme americano qualquer? Pois bem, eu também não fui pra lá com a maior felicidade do mundo, mas acabou que, inevitavelmente, joguei conversa fora o resto da noite com duas grandes mestras (é mestras? Fica estranho o.o) que tive. Minhas professoras de Sociologia e Filosofia/História foram as primeiras que não riram na minha cara quando eu disse que, depois que terminar a faculdade de Jornalismo, queria fazer História e Filosofia :D auhahuauh Bom, é claro que elas não ririam. Tanto que essa de História e Filo também tentou Jornalismo antes. Ou seja, eu tô praticamente revivendo a vida dela hahaha. E a de Sociologia me confessou que quer fazer Direito… e que anda muito interessada também por Filosofia, mas com algumas ressalvas. E essas ressalvas que ela têm são justamente as que eu tenho.

Explico: quando contei para elas que queria fazer História, tudo bem. Confesso que o meu maior interesse antes era apenas a parte mais atual – no Brasil, a partir da Ditadura, no mundo, a partir da Revolução Francesa. Mas agora eu já começo a entender que estudar as civilizações antigas também vale a pena. Já quanto à Filosofia, eu disse para elas e fui muito bem apoiado pela prof. de Sociologia que: sim, eu sei que é importante estudar as teorias dos caras e tudo mais, sei que a parte teórica se faz necessária, de alguma forma, para o aprimoramento do pensamento, mas… o que eu MENOS quero encontrar na faculdade – e isso eu disse já sabendo que a resposta seria negativa, infelizmente – são professores que apenas citam autores e frases de efeito. Eu acho a Filosofia incrível – mas eu tô CAGANDO pras frases aleatórias que fulano e siclano citaram. Eu tô CAGANDO pro conhecimento apenas teórico e que, na prática, não serve pra nada. Enfim, pra minha felicidade, a professora de Sociologia pensava parecido e me apoiou. Às vezes eu até penso que se desejo tanto algo prático, deveria é fazer Sociologia mesmo. Mas não sei, tem algo relacionado na Filo que me atrai mais. Ah, enfim, eu tenho tempo pra fazer uma faculdade a mais nessa vida hahahaha.

A nossa conversa foi muito boa, no geral. Aquelas duas foram minha grande inspiração nesse último ano que passou… Relembrei das minhas provas e das respostas que eu colocava em perguntas sobre prisão perpétua, aborto, esquerda-direita, enfim… Aquelas coisas da tão chamada “formação de opinião própria” hahaha. Falei que, desde aquele ano pra cá, as minhas opiniões mudaram MUITO, muito mesmo. Eu tava revendo minhas provas dia desses e dava vergonha do que eu tinha escrito hahaha. Enfim, queria ter mais tempo com elas. Queria ter me interessado por esses assuntos mais cedo e ter discutido sobre… Mas ainda nos reencontraremos. Sinto falta de não ter ninguém pra conversar sobre essas coisas, mas tudo bem. Hoje, por exemplo, na aula (sim, eu tive aula domingo de manhã, segunda vez nas últimas três semanas ¬¬), o professor de Geografia meteu pau, mesmo que sutilmente, na Globo. Os professores do cursinho são bem inteligentes e tal, pelo menos os dessa área mais de Humanas. Tudo bem que os de História seguem o clichê de nós-amamos-o-Che-Guevara (e eu tô LOUCO pra que chegue esse conteúdo nas aulas, porque, afinal, ele foi um ditador ou não? Por que tanta gente paga pau pra ele se ele matou várias pessoas? Não sou contra nem a favor, só não entendo por que tanta adoração). Tudo bem que o professor de Filosofia, infelizmente, está restrito a dar seu conteúdo sobre o vestibular e não podemos começar a viajar nas divagações e tudo mais. Se bem que, ah, estou sendo contraditório, mas enfim. Ia falar que cursinho é isso mesmo – conteúdo e pronto. Mas não posso esquecer do professor de História do Brasil que geralmente também solta o verbo nas aulas. E do próprio de Geografia, que eu falei antes. Entretanto, não estou mais em uma escola e não tenho mais tempo pra trocar uma ideia mais demorada com eles sobre esses assuntos, infelizmente.

Frustrações à parte, minha vida de estudante de cursinho anda. Recentemente, tive boas surpresas que me deram gás novo para a metade do ano que estamos (sem querer ser clichê, mas… dá pra acreditar? Como o tempo passa rápido [/velho]). Ocorreu um simuladão de 50 questões lá no Totem e eu fiquei em 9° lugar na minha sala =)) Sala de 100 alunos aproximadamente ok ahaha. Isso que eu achei que fui mal na prova, mas tudo bem. E semana passada, qual foi o grande acontecimento? Vestibular extraordinário da UFSM pros cursos novos.

Ano passado foi anunciado que a UFSM colocaria novos cursos na sua grade. Tecnologia de Alimentos, Engenharia Sanitária, Acústica, Relações Internacionais… enfim. Mas acabou que eles não foram aprovados para o de verão desse ano. Então, criou-se um vestibular extraordinário (só vai ocorrer esse ano mesmo) para apenas estes cursos. Eu me inscrevi em RI, o que causou comoção geral aqui em casa hahaha. Do tipo: ah, faz Relações e esquece o Jornalismo! Eu já esperava por isso.

Mas enfim, sexta-feira o cursinho fez um pré-prova em um auditório de um hotel famosão lá de Santa Maria. Tavam lá quase todos os professores (é, o Mestre não tava). Cara, foi foda. Eu não tinha ideia de como o povo ama e idolatra o Deivis. Aliás, a entrada dele foi a melhor: ao som de (I Can’t Get No) Satisfaction, dos Rolling Stones! Pra quem não sabe, ele é realmente parecido com o Mick Jagger. É uma mistura de Mick com Silvio Santos, na verdade hahaha. Tava ótimo. O Deivis improvisando, porque os slides dele foram os únicos que não funcionaram, cantando feito doido lá, a Andreza e as músicas que todo povo do Anual Elite somos-melhores-pagamos-o-dobro-e-merecemos-mais sabia, o Cadu e sua primeira aula que passou rápido, a Vivi gostosCAHAM, simpaticíssima, o selinho que ela deu no Terra (agora eu entendi o porquê daquele tema de redação: “o amor supera diferenças?”), o Andrei batendo cabelo, pra variar, e adaptando o famoso “vai cavalo” pra “vai Eliandro” (ou algo assim), o Dalton e sua imagem no final de um bêbado deitado e podre, o que foi bem inesperado, visto que eu sempre considerei ele o professor mais certinho de todos… ENFIM. Mas o melhor, sem dúvida, foi o Deivis e sua apresentação épica, mandando a gente fazer barulho pras “imundiça” do Itaimbé nos ouvirem haha.

Falei de tudo, menos do vestibular em si. Pra começar, tu pode baixar a prova. Sim, a UFSM resolveu parar de ser retrógada e disponibilizou pra download no site. Tu confere ela aqui. Bem, sendo que ele teve pouco tempo pra ser feito, dá pra dar um desconto para algumas questões da prova. Matemática tava facílima e muito simples também. Até fórmula deram e isso não é muito do costume da universidade. Em Física, caíram 3 questões de Ondas, o que é um absurdo. Nesse extraordinário são 10 por disciplina, contra 15 do vestibular de verão. Os mapas de Geografia tavam um terror, pra mim, ao menos haha. Mas o resto tava tranquilíssimo de fazer. História também teve questões boas de resolver, INCLUINDO a última que criticou sutilmente a mídia e o governo do Obama. Os professores devem ter chegado às lágrimas com essa e com uma outra que falava mal do cinema americano que sempre glorifica os EUA nas guerras que eles perderam haha. Filosofia também tava muito gostoso de fazer, tirando uma questão sobre metáfora, que ficou tosquíssima. Mas enfim, não vou falar sobre todas as matérias aqui. E antes que eu esqueça, como vocês podem ver, os temas da prova foram Comunicação, e Cultura/Crenças. Pra quem não sabe, as provas da UFSM são temáticas desde um certo ano (acho que 2004), visando unificar mais as matérias. Em suma, um tema que apenas nos facilita, visto que as questões podem ficar muito mais restritas à determinados conteúdos, por exemplo.

Falei, falei, mas nem disse se fui um fiasco na prova ou não. Pois bem, quando vi minha pontuação total, achei que tinha ido mal. Fiz 56 de 100. Meus amigos ligaram pra mim e eu fiquei sabendo que fui o melhor de todos entre eles. Depois, no cursinho, vi que a grande maioria não fez mais que 60 e que pouquíssimos tiraram de 70 pra cima. Na verdade, eu acabei indo realmente bem! hahaha Mas não é nada para se vangloriar no momento. Os pontos de corte saíram e ficaram baixíssimos. Alguns tão ridículos, beirando os 25/30 (meu, 100 questões e o ponto de corte é esse?). O de Relações Internacionais acabou dando 61. Foi o maior de todos. E é o único curso que eu não passaria. De resto, todos (acho que só tirando uma Engenharia lá) me dariam entrada na faculdade.

Ah sim, já ia esquecendo! Viram o tema da redação? “Dias melhores virão”. Sobre concordar ou não com a frase e tal. Tema MUITO amplo. Em suma, tu podia escrever sobre qualquer coisa. Peguei meu forte – educação – e falei bem, com algumas ressalvas. Aposto que a maioria pensou em escrever sobre a crise, no início hahaha.

Duas semanas atrás, aula no domingo… Semana passada, vestibular num frio desgraçado, com vento e chuva… Hoje, aula novamente. É, o cursinho anda matando, mas vale muito a pena. É aquele negócio que todo mundo fala: nele, há realmente prazer em assistir aula. Fiquei pensando sobre isso hoje. Por que não temos sede por aprender na escola? Porque o vestibular não bate na nossa cara? Porque não temos uma “obrigação” de passar? Mais uma daquelas paranóias sobre educação que me veio. Como divertir uma sala de aula e fazer com que seja prazeroso estar nela? Que Bacharelado em História e Filosofia que nada… Tô vendo que vou partir pra Licenciatura mesmo haha.

No começo do mês teve também a Feira do Livro em Santa Maria :D Comprei vários, e agora que eu terminei Crime e Castigo, finalmente poderei começar a lê-los. Tô aqui com Cem Anos de Solidão, do García Márquez, Hollywood e Pulp, do tio Buk, As Uvas e o Vento, do Neruda (o único cara que me consegue fazer gostar de poesia) e On The Road, do Jack Kerouac. Bem, mesmo tendo tudo isso pra ler, eu não resisti e dia desses comprei um outro livro que relaciona Filosofia e Cinema. Creio ter sido um bom achado, vou ler ele paralelamente pra dar uma olhada nas indicações que deve ter nele.

crime_e_castigo

Mas fiquei esse tempo todo lendo um livro incrível. Crime e Castigo – falarei sobre ele. Sabe o Dostoievski? Pois então. Todo o hype envolvendo esse livro tão mítico é realmente verdadeiro, pó confiá. Saca só o prefácio e depois comento.

Aqui vemos sonhos tirados de livros, aqui vemos um coração exasperado por teorias; aqui vemos a decisão de dar o primeiro passo, mas uma decisão de uma espécie particular – ele tomou a decisão, mas foi como se tivesse caído de uma montanha ou despencado de um campanário, e chegou ao crime como se não houvesse caminhado com as próprias pernas. Esqueceu-se de fechar a porta após entrar, e matou, matou duas pessoas, apoiado na teoria. Matou, mas não conseguiu se apoderar do dinheiro, e o que agarrou meteu debaixo de uma pedra. Achou pouca a aflição que suportou sentado atrás da porta enquanto tentavam arrebentá-la e puxavam o cordão da sineta -, não, depois foi ao apartamento, já vazio, meio delirando, relembrar aquela sineta, sentiu a necessidade de voltar a experimentar o frio na espinha… Bem, mas isso, suponhamos, aconteceu durante a doença, no entanto veja mais uma coisa: matou, mas se considera um homem honrado, despreza as pessoas, anda por aí como um anjo pálido.

A história do livro é a seguinte: Raskólnikov é um estudante que teve que trancar a faculdade por motivos de grana. Para arranjar dinheiro, ele penhora diversos objetos de família com a velha Aliena. Porém, Aliena arranca altos juros de seus compradores, afetando várias pessoas. Em nome de um “bem maior”, Raskólnikov a mata. E aí que gira a trama. Raskólnikov apóia seu crime na teoria dos seres ordinários e extraordinários. Basicamente, ordinários são os submissos, os que nasceram para apenas obedecer e não transcender o “limite”. Os extraordinários ousam, avançam, passam por cima e tem o direito de “violar” a lei – afinal, eles mesmos são a lei e fazem a lei. À eles, é permitido derramar sangue. Napoleão é a figura central para Raskólnikov quanto a isso.

Somos apresentados a uma São Petersburgo suja, repleta de bêbados, e de um inverno congelante. Rússia, vodka… você sabe. A linguagem do tio Dostô é simples – nada rebuscado, o que é um alívio. Ele concentra-se mais nos tormentos do personagem que, conforme vai avançando, chega a tal ponto que a confusão entre o real e o absurdo torna-se natural. O psicológico de Raskólnikov após o crime é afetado de tal forma que ele se isola de todos, passa a ter alucinações e vê seu crime reproduzido em todas as pessoas – o personagem realmente chega no abismo mais fundo possível e discute-se aqui a moralidade de seu ato. Afinal, ele irá se arrepender ou continuará com a ideia de fez até um favor à sociedade por ter eliminado um piolho? O final é surpreendente, com um desfecho incrível.

Mas não só de Raskólnikov que vive o livro, muito embora ele seja a alma do mesmo. Há muitos personagens na trama, desde os co-protagonistas até os simples bêbados que soltam uma frase e outra e logo depois são esquecidos. Temos Alieksandra, a mãe do protagonista. Dúnia, a irmã dele, e que logo no começo da história revela que arranjou um marido: Lújin. Neste personagem estará concentrado uma grande crítica de Dostoiévski ao capitalismo – aos comerciantes, aos burgueses que vêem a vida como um grande negócio e não amam qualquer outra pessoa senão a si próprios. Há também o excêntrico Svidrigáilov, um dos personagens mais intrigantes de toda a história. Suas intenções não são exatamente reveladas e ele tem um ar um tanto quanto contraditório. É um personagem tão bem construído que facilmente cativa o leitor – e, pra quem já leu o livro, sabe como isso é perigoso. Temos também a família do bêbado Marmieládov, que Raskólnikov encontra no início da história também. Ele, sua esposa, a adoecida Catierina – e aqui já uma personagem muito interessante, que ora sofre por ser pobre, ora se vangloria por ter vindo de uma família nobre e ora passa por cima de seus iguais, tão ou mais miseráveis que ela -, sua filha, Sônia, que teve que se prostituir para sustentar a família. Além dela, há outras três crianças. Por fim, Razumíkhin, o fiel escudeiro de Raskólnikov, e Porfiri, um cara mala, mas que protagoniza uma das melhores cenas e falas da trama.

Aliás, o livro possui muitas cenas memoráveis, mas para quem não leu, eu não quero as contar diretamente. Há uma, por exemplo, que não estragará a surpresa de ninguém para quem não a leu. Inclusive, meu professor de Filosofia citou ela no cursinho quando eu falava com ele sobre Crime e Castigo (sim, ele leu \o/ sim, eu tive alguém pra conversar sobre \o/ aleluia). É a cena do cavalo. Sério, uma das coisas mais angustiantes que eu já li na minha vida. Trata-se basicamente de um sonho de Ródia (o primeiro nome de Raskólnikov) em que ele vê um monte de bêbados açoitando uma égua. Chicoteiam-na por toda a parte, nos olhos, enfim, acabam matando-a. Na verdade, foi baseado em lembranças do próprio Dostoiévski, que vivenciou algo semelhante na infância. E, adivinhem? Nietzche, nos seus últimos anos de loucura e isolamento, quando viu um cavalo sendo espancado por seu dono, correu e o abraçou. Homenagem ao livro? :P

Enfim, esse livro vale MUITO a pena ser lido. Li em alguns lugares que ele tem várias traduções porcas e a única que presta mesmo é a da Editora 34 – porém, essa versão custa entre 40 e 50 pila. Mas sim, vale a pena desembolsar a grana. Acontece que as outras traduções são traduções do francês, e não diretamente do russo – aí, algumas modificações ocorrem no enredo. E no fim das contas, o livro trata sobre a consciência – talvez a grande inimiga de Raskólnikov e a culpada por seu fracasso. Dostoiévski não teve medo de retratar o ser humano como o via: uma sucessão de podres que não poderiam culminar em outra coisa, senão tragédias. E o final? O final eu não digo, mas pode até decepcionar alguns. No meu caso, só me fez gostar mais ainda da obra :D

Talvez eu tivesse mais coisas pra postar, mas vou deixar o meu trecho preferido do livro aqui. Espero voltar em breve.

- E como vai se lixar? Perdeu a confiança e pensa que eu o lisonjeio grosseiramente; por acaso o senhor já viveu muito? Por acaso compreende muita coisa? Inventou uma teoria e ficou envergonhado porque ela fracassou, porque o resultado não foi nada original! Redundou numa coisa torpe, é verdade, mas ainda assim o senhor não é um patife incurável! Não é absolutamente esse patife! Ao menos não ficou muito tempo se engambelando, uma vez que chegou aos últimos limites. Por quem eu o tomo? Eu o tomo por uma daquelas pessoas a quem podem arrancar os intestinos que ela vai se manter firme e olhar rindo para os torturadores – desde que encontre a fé ou Deus. Então, encontre e irá viver. O senhor, em primeiro lugar, está precisando mudar de ares há muito tempo. Bem, o sofrimento também é uma coisa boa. Assuma o sofrimento. Mikolkha talvez esteja certo ao desejar sofrer. Sei que não acredita – mas o senhor pare com esse jeito finório de filosofar; entregue-se à vida de forma direta, sem discutir, sem se inquietar – será levado para a margem, e colocado de pé. Para que margem? Como é que eu vou saber? Eu apenas acredito que o senhor ainda tem muita vida pela frente. Sei que neste momento, o senhor está interpretando minhas palavras como uma receita decorada; sim, é possível, mas depois vai se lembrar, alguma dia haverão de servir; é com esse fim que estou falando. Ainda bem que matou só a velhota. Inventasse outra teoria e vai ver que teria feito uma coisa cem milhões de vezes mais vil ainda! Talvez ainda precise agradecer a Deus; lá sabe o senhor: pode ser que Deus o esteja conservando justamente para isso. O senhor tem um  grande coração: tenha menos medo. Está com medo da grande realização que tem pela frente? Não, aqui é vergonhoso temer. Já que deu semelhante passo, então mantenha firmeza! Aqui se trata de justiça. Então faça o que a justiça exige. Sei que não acredita, mas juro que vai aguentar a vida. O senhor mesmo vai amá-la depois. Agora o senhor precisa apenas de ar, de ar!
Listening: Black Sabbath – Wheels of Confusion/The Straightener

Crisis

28/04/2009 por Dom Quixote

No primeiro post deste blog, as palavras iniciais foram a letra de Carpathia – nova música do Taking Back Sunday naquele momento.  Semana passada saiu o primeiro single do New Again: Sink Into Me. A música é legal, mas não tão boa o suficiente para merecer mais comentários. Isso tudo foi apenas uma comparação para relembrar o começo desse antro de inutilidade e resolver dar uma geral aqui.

É incrível – e repetirei o que disse no primeiro post – como tenho tendência a criar blogs em fim de ano. O negócio parece mais lógico quando você se dá conta que essa é uma época de extrema nostalgia, momentos de ócio e reflexões babacas. Nada melhor do que extraí-las para um seleto público de ninguém, além de você. E foi isso que eu fiz, no fim das contas. Como já disse, o intuito principal do blog foi mantê-lo por um ano em uma época que, espero eu, seja a última da minha vida: preparações para o vestibular. Cursinho. All these stuff. Bom, realmente é isso que eu ainda pretendo fazer e tal, e foram poucos os posts que andei fazendo durante a época preterida até então (se bem que isso é bom hahaha). Acho que apenas tive uma pequena crise de vergonha lendo os últimos posts, os últimos comentários de filmes vistos e vendo como tudo se tornou automático e chato. Ao mesmo tempo que sei que faço tudo isso apenas para mim mesmo, não posso deixar de notar que a repetição da minha infame vida acaba entediando não só a você, caro leitor… Mas também a mim!

É claro que o modelo de postagens não mudará drasticamente daqui para frente – são apenas observações. Continuarei recomendando tudo de bom que eu ver pela frente, mas de forma mais seletiva e detalhada. Os resultados virão futuramente em posts menores, específicos e mais numerosos.

Os dias têm sido mais ou menos. Não vivo uma crise só no blog, mas também na minha própria vida. Amigos vêm e vão como num piscar de olhos… Espero que isso seja passageiro e que eu me arrependa do que estou escrevendo. E quanto ao cursinho, tudo tem sido bem produtivo, ultimamente. Só espero que os fusos horários sejam resolvidos até semana que vem auahuahuhau.

Mas chega de falar de cursinho. O que mais tenho pensando ultimamente é na educação. Vocês já viram aquele documentário Pro Dia Nascer Feliz? Fala sobre as disparidades das escolas brasileiras e eu recomendo demais pra você ver. Assisti ele na aula de Sociologia do ano passado e me arrependo de não ter comentado muita coisa dele com a professora. E era isso que eu ia dizer: me arrependo de não ter aproveitado melhor as aulas de Sociologia, Filosofia e História. Entretanto, devo relembrar que meu interesse por essas áreas só veio de dezembro do ano passado pra cá. Mas ah, eu deveria ter desenvolvido esse gosto anteriormente hahaha. Enfim, eu falando essas coisas é muito idiota, mas você não sabe como eu me empolgo quando tenho metas. Pra quem, no primeiro ano, queria fazer Publicidade, fixou a ideia no segundo e no início do terceiro, deu uma boa virada. Cara, mais do que nunca [/Fausto Silva], eu sei que Jornalismo é a profissão da minha vida. Mas não só isso: o bacharelado de História e Filosofia tão aí. Tudo bem que eu tô parecendo aqueles babacas que, só porque recem leram O Mundo de Sofia, acham que podem ter alguma carreira nessa área. Pô, o livro deve ser raso mesmo para um professor da matéria, mas me deixou de boca aberta e é um verdadeiro aprendizado dos filósofos de diversas épocas. E eu quero estudar mais a fundo isso. Sei lá, cheguei à conclusão de que o melhor modo pra tentar entender e solucionar os problemas de hoje são rever toda nossa história, todas nossas sociedades passadas e alinhar isso à pensamentos e correntes de filósofos – claro, extrair o melhor delas e não dar uma de Aristóteles, que considerava as mulheres inferiores, por exemplo hahaha mongolão. :P Enfim, me vejo trabalhando tanto numa redação cheia de pessoas estressadas, como escrevendo uma monografia sobre a educação no Brasil e com soluções de aprimoramento. Tudo que sei é que meu objetivo é mais simples do que parece: marcar a minha existência, fazer algo de valor nacional/universal. Entrar pra história também me gustava, mas calma hahaha.

Mas vamos a algumas notícias corriqueiras: ultimamente, o que mais vem se comentando no cursinho é sobre o novo vestibular. Pois é, tá por fora do que tá acontecendo, né? Eu explico: o MEC (Ministério da Educação) começou com um projeto de vestibular unificado. No fim de março o negócio foi aprovado e, em algumas universidades, já vai começar no próximo ano! E você se pergunta: QUE QUE É SAPORRA? Eu explico, eu explico…

O que acontece é que o ministro da Educação teve a “brilhante” ideia de criar uma espécie de Enem pra geral. O vestibular antigo se foi. Ó, na tua cara, o negócio é o seguinte: o país todo fará a mesma prova, ao mesmo tempo, no mesmo dia, substituindo todo o processo de vestibular que já conhecíamos. Revolucionário, não? Pois é, e com essa ideia de inclusão que o ministro acha que as diferenças acabarão. Tsc.

Falo superficialmente sobre o assunto até aqui porque não são conhecidos muitos detalhes do negócio – na verdade, tudo anda meio confuso. O que se sabe é que o vestibulando escolherá 5 faculdades e fará a tal prova unificada para as instituições escolhidas. É a alternativa apresentada para as pessoas que não podem prestar a prova em mais de um lugar, devido a custos de transporte e tudo mais. Mas… e se todos paulistas resolverem se inscrever nas universidades do Norte? Há, claramente, um alto desnível de preparação entre estes dois tipos de candidatos. Estados roubarão as vagas de outros estados? E mais: se eu não passar na prova, não passarei nas 5 faculdades. Mas a ideia não era justamente você ter 5 oportunidades, 5 provas diferentes, para ganhar mais chances?

Isso sem contar a questão mais óbvia de todas: como realizar a prova para todo mundo? O que se sabe é que será uma mistura de Enem com vestibular – segundo o ministrio, uma prova mais perto da realidade do estudante, menos conteudista, menos memorizada. Tudo bem, eu concordo. Mas… Geografia, Literatura, História, todas estas matérias têm, de certa forma, suas regionalizações. Eu, gaúcho, estudo mais o enfoque do relevo rio-grandense, e não o nordestino. Estudei sobre autores gaúchos da literatura. Então, como fazer uma prova nacional, se nosso ensino tem tantas diferenças de região pra região? E também: como arranjar um horário, um dia para todo mundo realizar o teste? Dia desses li no jornal uma menina perguntando se o MEC pensou nas pessoas de religião X que não podem fazer a prova no sábado, por exemplo. E aí? :P

Eu entendo que tipo de prova o ministro da Educação quer alcançar. Bem, eis que lhe apresento a UFSM. A Universidade Federal de Santa Maria, desde 200X resolveu fazer provas interdisciplinares. So what? O que buscam é justamente isso: uma prova mais inteligente, que reúna e encaixe os conteúdos das matérias em várias questões e que forcem ao pensamento, não à decoreba. Na UFSM, as provas são feitas em três dias (quatro com a redação) e é dividido, por exemplo, em Geografia, Biologia, História e Filosofia em um dia. Português, Física, Inglês, Filosofia noutro. Química, Matemática, Literatura, Filosofia em mais outro. Sim, Filosofia cai em todos os dias e é justamente a matéria que mais “pega das outras” questões para si: você pode analisar uma questão de lógica como se o seu conteúdo de química fosse falso, mas lógicamente falando, ele estaria correto, por exemplo. Geografia e Biologia também confudem os alunos, não deixando eles saberem qual matéria estão respondendo. E isso é bom! As últimas provas da UFSM, com conteúdo interdisciplinar, têm arrancado elogios – e de fato, estão mais inteligentes.

Outra coisa que acabaria com o novo vestibular unificado seria o PEIES, que é um sistema de ingresso alternativo à UFSM. A universidade criou uma prova para os alunos do Ensino Médio. Por exemplo, no 1° ano, você faz sua primeira prova do PEIES, com toooodo o conteúdo que teve. E assim por diante. Sabe, eu também não acho o vestibular a prova mais justa que tem, porque sabemos que não são todos que tem um bom estudo nas escolas públicas, assim como não são todos que podem pagar um cursinho e se dedicar um ano inteiro nele. Mas essa unificação é um absurdo. Estão tentando encobertar um problema nas raizes, tapando com uma medida pseudo-democrata. Não, não, não creio que isso dará certo, não. O PEIES é o que considero de mais “democrático” atualmente no Ensino – e que deveria ser criado por mais Instituições de Ensino Superior.

Bem, mas vamos ao que interessa: no Rio Grande do Sul, a UFRGS (Federal de Porto Alegre) adotará o sistema “Enem” no vestibular de 2011. a UFPel (Federal de Pelotas) adotará já no de 2010. FURG (de Rio Grande) possivelmente também. Vale notar, porém, que a UFRGS já disse que fará a prova nacional apenas como primeira fase. Os que passarem, resolverão uma prova discursiva preparada pela própria Instituição. Sim, discursiva! Já com as novas regras ortográficas! E a UFSM, que ME interessa? hahaha. Pois é, o reitor declarou que é contra a prova e que, pelo menos no próximo vestibular de verão, ainda teremos a normalidade que conhecemos. Na verdade, ele disse que nos “próximos anos” continuará tudo como está – até porque, se a Universidade adotar esse método, o PEIES acaba; e é necessário, pelo menos, que as turmas que ingressaram neste ano se formem.

Enfim, a educação tá toda uma bagunça. E o que os professores andam dizendo é simplesmente: te mato se tu não passar ano que vem. AUHAHUHUA Pois é, amigos, talvez o vestibular que eu prestarei em 2010, na UFSM, seja o último normal. Vai saber. Minha última chance? É, acho que tenho que aproveitar, né hahaha.

E eu já ia me esquecendo, mas preciso comentar sobre esse livro. CARA, pra quem nunca leu Saramago, peguem O Homem Duplicado. MUITO FODA. O enredo parece sacal: um professor de História (haha) assiste um filme e vê um ator idêntico a si em cena. Pra quem não conhece o estilo do Saramago, esse é uma boa pedida. A trama se desenrola rapidamente no começo. No meio, começam as viajadas típicas – mas até lá você se acostumará com tudo. E o final, CARA. É surpreendente. E me deixou pensando por um bom tempo. Sério, leiam.

Pra finalizar o post, nada melhor do que falar sobre inspiração. Bem, finalmente terminei de escrever o Alexandria. Quem sabe o link do blog, acessa e lê, por favor :P Depois de um período de hiato, voltei à ativa, amém. Porque já estou com ideias para um novo texto, bem diferente dos dois últimos (que não tinham muita narrativa e eram mais um conjunto de coisas que vinham à minha cabeça aleatoriamente). Mesmo que o Alexandria tenha sido mais organizado que o Cortando Palavras e Guardando as Sobras, mesmo que eu insista que ele é mais racional, preciso confessar que, depois de um tempo, acabei voltando ao estilo antigo novamente hahaha. O resultado é que eu esperava que ele ficasse melhor, mas foda-se. Não aguentava mais segurá-lo e postei. Acho que algumas partes ficaram exageradas, mas tudo bem.  Sobre o novo texto, ainda não comecei. A ideia veio ontem. Não tava conseguindo dormir e aí sabe como é. E será uma delícia escrevê-lo – o tema é ótimo e eu só contarei depois que mostrar pra quem interessa mwahuauhahua. Mas já tem título: Pestilência.

Bueno, o próximo post será como alguns outros. Falarei sobre Camus, mui provavelmente… O cara é foda, sem mais delongas hahaha. Mas isso já é assunto para outra hora.

O post ficou um pouco pessoal, por isso não me arrependo de não ter mostrado o blog para meus amigos :P No fim das contas, resolvi divulgá-lo apenas no twitter. Como ele é bloqueado, poucas pessoas terão acesso. E essas poucas pessoas são legais e confio nelas. Ah, e não se acanhem, podem comentar, xingar e tudo mais.

Listening: My Dying Bride – The Whore, The Cook and The Mother

One month off

13/04/2009 por Dom Quixote

Tchê. Não é que eu viciei no twitter e passei a descuidar disso aqui? auhahuahuhau

Pois é, mais de um mês fora, mas voltei. Estamos nas condições que eu idealizei quando criei o blog: postar durante o cursinho, nos fins de semana livres que eu tenho. Bom, é claro que, vendo agora, eu sei que não vai dar para postar todo santo fim de semana, mas mesmo assim, será legal contar o que se passa agora para daqui a um ano, quem sabe, reler tudo… já na faculdade? Eu espero :P

ENTÃO. Vamos analisar o cursinho hahaha. Um mês de aula já dá pra falar alguma coisa. Cara, gostei de TODOS professores, sem exceção mesmo. Todos são engraçados (claro que uns bem mais que os outros), todos são mega inteligentes, todos conseguem ensinar as suas respectivas matérias muito bem. Tô indo de busão todo dia pra cidade que fica o cursinho. Dá marromenos uma hora de viagem… Geral sempre falando que era cansativo, mas nem é tanto assim não. Tá dando tranquilo pra estudar. Na verdade, tava até sobrando tempo =X Eu tava meio mongo com isso ultimamente, sem ter nada pra fazer porque eu já tinha estudado tudo que eu precisava. Então, um dia o professor de Química resolveu justamente falar que agora a matéria é pouca e deve-se aproveitar pra rever tudo. Sim, o negócio é ÓBVIO, mas eu não tinha me tocado. A partir dessa semana vou estudar em tempo integral mesmo, revisando tudo e aproveitando que o tempo é grande.

Tenho uma ex-colega de colégio que tá na mesma sala que eu do cursinho. Cara, ela tem ataques com o professor de Geografia e o de Química hahaha. Queria muito que vocês vissem qualquer aula desses dois, são impagáveis mesmo auhauhau Se não me engano tem uns vídeos do youtube deles e qualquer hora eu mostro procêis. Bom, particularmente, eu achei os professores de História e Filosofia fodas. Também, né, são as minhas duas matérias preferidas hahaha. Pena que meus amigos que fazem anual comigo não gostaram deles, aí fico quieto sempre. Mas qualquer hora quero trocar uma idéia com os dois, até pra que eu veja mesmo se faço ou não faculdade de História e Filosofia depois que terminar a de Jornalismo. Veremos, veremos…

Sim, Filosofia, amigo. Você sabia que eu pretendia fazer História, mas meu interesse por Filosofia veio depois que eu li… siiiim, o famoooso O Mundo de Sofia. Eu sei, eu sei, é livro pra se ler com 15 anos, mas EU NÃO LI, ok? hahaha Peguei emprestado com minha ex-professora do colégio. Esse e o Revolução dos Bichos, com a de Sociologia. Foda, por sinal. Mas cara, O Mundo de Sofia é outra coisa.

Seguinte: cê sabe que o autor desse livro é o Jostein Gaarder – que escreveu meu preferido, O Dia do Curinga, né? Claro que sabe (NOT!). Pois então. Eu já esperava coisas boas do cara. De fato, e a minha professora avisou, ele é cansativo. Afinal,  o enredo é o seguinte: Sofia começa a receber cartas misteriosas de um professor de Filosofia. Na verdade, ela ganhou um curso de Filosofia. E vai aprendendo a história de todos os filósofos mais importantes, desde o mais antigo até o mais recente. A fórmula de Sofia-carta-aula-Sofia cansa, sim, mas a partir da metade do livro há uma revirada na trama e tudo fica BEM diferente. O final, já aviso, não finaliza a história. Mas não é motivo para decepcionar ninguém. Quando você se dá conta do que realmente aconteceu até então, é assombroso, assustador. Parece meio tosco isso, mas é que não dá pra falar muita coisa ahuauhaua só que o enredo tem uma reviravolta incrível. E, é claro, dá margem a várias interpretações e a muitas, muitas reflexões.

Pois bem, como o livro é um verdadeiro curso de Filosofia para iniciantes, aprendi várias coisas. E me interessei, principalmente, pelos filósofos mais contemporâneos, do Existencialismo. Sabe o Sartre! Pois é. Eu já conhecia ele de nome por causa do Engenheiros do Hawaii. O Humberto Gessinger é mó fã do cara e isso é evidente nas letras. Mas nunca tinha lido nada sobre a vida do Sartre, sobre os verdadeiros pensamentos dele e essas coisas (ele é dono da famosa máxima “estamos condenas à liberdade”. E eu concordo). E pois é, deu vontade de ler mais sobre ele. Só não sei por onde começar. Mas vou dar um jeito ainda. Enfim, o livro é fodão e eu recomendo pra todo mundo, sem exceção. Cara, vocês não serão os mesmos depois de ler ele (e quem gostar, aproveita pra pegar O Dia do Curinga! É melhor ainda e me deixou mais boquiaberto).

Aí eu comecei a ler Saramago de novo. Saca só o editorial do livro, depois falo mais:

Os romances recentes de José Saramago retratam uma época de transformações que, para boa parte da humanidade, resultam em mais perdas que ganhos. Em Ensaio Sobre a Cegueira os personagens perdem a vista, sinal de um tempo em que todos parecem esar cegos. Em A Caverna, os oleiros artesãos perdem o emprego, incapazes de sobreviver à sociedade de consumo. Em O Homem Duplicado, dá-se a perda da identidade, mote ficcional para que o autor toque num dos aspectos mais desumanos da sociedade global que, em sua ânsia uniformizadora, dissolve as singularidades numa cultura pretensamente universal.

Foda, né? E, curiosamente, são citados justamente os dois livros do Saramago que eu li. Nem tinha me tocado dessas semelhanças. Enfim, sobre O Homem Duplicado, eu ainda tô lendo. Mas é, de longe, a leitura mais fácil do Saramago até agora. Cê sabe que ele é português, escreve em português de portugual mesmo e não permite que se mude para o brasileiro na nossa tradução e que, geralmente, seus parágrafos são bem longos, com frases também muito longas. Né? Hauhauahu. Pois então, no Homem Duplicado o estilo permanece. Mas, não sei por que, ele é mais fácil. Talvez porque seja mais urbano e mais perto de nós? Não sei. Entretanto, as ações desenrolam-se mais rapidamente e você avança vários capítulos de uma só vez. Sobre o enredo: um professor de História (hahaha), um pouco deprimido e entediado com sua vida, recebe a indicação de um filme do seu colega professor de Matemática. E assistindo à película, Tertuliano Máximo Afonso (sim, esse é o nome do coitado) se vê no filme.É, se vê. A partir daí, Tertuliano começa uma investigação atrás de sua identidade duplicada. Se o final é foda, eu não sei, porque não terminei. Mas tá muito bom por enquanto :D

Não posso deixar de finalizar o post sem antes dizer que duas bandas fodíssimas passaram pelo Brasil em março e abril. Em março, tivemos o Agua de Annique, a banda da ex-vocalista do The Gathering, Anneke van Giersbergen. Um amigo meu foi e… bem, só a Anneke já vale o show todo. Mas deixo aqui dois vídeos pra vocês conhecerem a banda. Primeiro, uma música própria e que apresenta bem a banda: Sunken Soldiers Ball. E, agora, um cover do Faith No More que me deixou de queixo caído com a performance da Anneke. ASSISTAM: Digging The Grave.

E o outro show, agora em abril, foi do Opeth =~ Pra quem não sabe, minha banda preferida. Mistura de death metal, com rock progressivo e algumas pitadas de jazz fusion. Aaaah, eu queria MUITO ir, mas nem rolou. Agora, se vier de novo, eu vou agora. Um amigo sortudo meu foi no show (o monstro também foi no do Agua, fidaputa) e disse que tava foda. Ôooo merda ahuauhahu. Como já dava pra imaginar, o Mikael, vocal da banda, é o cara mais simpático do mundo. Faz piadinhas a toda hora, inclusive essa da foto abaixo. Horns up are overrated. Now is THE HOOK! :D Enfim, quer conhecer a banda? Olha esse vídeo do show de São Paulo: Heir Apparent, a música mais pesada da banda. Mas se tu tá a fim de uma gravação de qualidade, toma a Ghost of Perdition, do DVD deles. A Ghost exprime bem o que é a banda, mesclando todos os estilos deles.

the-hook

E falando em música, vazou o CD novo do The Gathering, que é uma das minhas bandas preferidas. O primeiro sem a Anneke. Resultado? Satisfatório e até surpreendente em certos pontos. Não é o melhor deles, mas nem de longe o pior. A nova vocalista manda bem. Gostei :D

No mais, tô viciado em Aerosmith =~ Agora nem tanto, porque comecei a ouvir Rogério Skylab (PÁRA DE RONCAR, FILHA DA PUUUUUUUTAAAAA!!!) e Funk Como Le Gusta, mas tudo bem. O refrão de Hole In My Soul é muito foda – e mó sertanejo também auhahuahu. Mas falando sério, acho que o Nine Lives é um dos melhores CDs que eu já escutei na minha vida.

Rapaz, cansei de escrever. Eu ainda falaria do Páscoa Rock e da minha súbita volta de inspiração, mas vou deixar pra próxima. Aliás, nem ando curtindo os posts aqui do blog. São cansativos pra quem lê e eu DEFINITIVAMENTE preciso arranjar outros assuntos além de música/filmes/livros. Minha vida? Acho que não interessa. Se bem que atualmente, atolado nos estudos, nem dá pra comentar as novidades do cotidiano hahaha. Ah, foda-se. Esse blog é mais pra mim do que pra vocês [/revolts].

Abraços galere, cuidem-se.

Listening: Funk Como Le Gusta – Motéis

Macaco com navalha

28/02/2009 por Dom Quixote

Buenas, cá estou. Pouco tempo se passou desde a última vez, então esse post será melhor do que os outros, espero haha. Mas paremos de falar sobre o tempo. Vamos ao trabalho.

Filmes, primeiramente. Esqueci de comentar brevemente no último post que assisti Lemon Tree. Um filme bacana. O enredo é interessante: uma mulher, dona de seus limoeiros, tem um novo vizinho: o Ministro da Defesa de Israel. Por conta disso, o cara acha que pode haver um ataque terrorista e os limoeiros seriam um bom método de camuflagem. Ele manda cortá-los, todos. E aí que entra o principal embate do filme. Salma, a dona dos limões, entra na justiça contra o Ministro.

Dado o enredo do filme, posso destacar a atuação da atriz que interpreta Salma. Me passou muita sinceridade. O relacionamento que ela desenvolve com seu advogado também é muito interessante. E o desfecho, bem inesperado. Vale a pena assistir, ainda mais por ser um filme israelense – distante de nós, do que conhecemos e do que geralmente vemos no cinema. Sempre bom estar aberto a novas culturas e acho que o que esse filme mais visa é o tema da compreensão – palestinos ou israelenses, mulheres ou homens, justiça ou injustiça, o filme consegue se aproximar do espectador. E no final das contas, nos vemos torcendo animadamente por Salma.

9582_lemontree

Seguindo a onda de filmes atípicos, consegui assistir Slumdog Millionaire antes da entrega do Oscar, como comentei no último post. Agora, falando um poucos mais desse filme (e depois comento a premiação). Premissa simples: um jovem indiano vai ao “Show do Milhão” (e, de fato, o SM daqui é uma edição brasileira do programa Who Wants To Be a Millionaire?), pra ter uma visibilidade nacional e encontrar seu amor. Quem diria que um enredo assim ganharia o Oscar, não? Pois bem, de fato, tudo parece bem mínimo até aqui. Mas o verdadeiro trunfo do filme se resume ao modo como essa história é contada, aos valores que nos são apresentados e a algumas coisas técnicas: fotografia e montagem.

Não vou contar o “modo como a história é narrada”, até porque você descobrirá isso logo nas primeiras cenas do filme. Mas, para mim, foi uma boa surpresa – eu imaginava algo linear, culminando em um prevísivel final do jovem Jamal Malik entrando no programa e, gênio como é, respondendo todas as perguntas corretamente. Péssima visão a minha hahaha. De fato, toda a vida de Jamal é contada no filme, com uma belíssima fotografia (que eu fiquei muito feliz por ter ganhado o Oscar nessa categoria), com cores fortes e vibrantes. A montagem, rápida e eficiente, também conquistou outra estatueta. O início do filme, mostrando a favela da Índia e a infância de Jamal, traz cenas rápidas e cortes certeiros, lembrando, por vezes, Cidade de Deus. Mais um destaque que levou prêmio (e que eu achei que não fosse ganhar): trilha sonora. Músicas árabes misturadas com batidas eletrônicas? Ponto pra eles. Escute AGORA Jai Ho (amém, amém, conseguiu Oscar de Canção Original) e vicie.

Slumdog Millionaire é, acima de tudo, uma bela história de amor com personagens extremamente carismáticos e boas reviravoltas até o esperado final feliz. Mereceu, sim, o Oscar de Melhor Filme. Mas… voltar pra casa com 8 estatuetas? O número parece assombroso, porém todas foram merecidas (tirando a de Melhor Roteiro Adaptado, que eu daria para Frost/Nixon, mas tudo bem). Também devemos levar em conta que os filmes desse ano do Oscar eram fraquíssimos, então Slumdog sobressaiu-se naturalmente.

Outro filme que assisti somente essa semana foi Frost/Nixon, que recebeu 5 indicações (incluindo melhor filme) e não levou nenhuma. Injustiça, mas beressa rs. Seguinte: é foda. Vou explicar primeiro o porquê dele merecer o Oscar de Melhor Roteiro Adaptado que eu contestei acima. O filme fala sobre o Caso Watergate, que os EUA enfrentaram durante a presidência de Richard Nixon. Nisso, Nixon, para lavar suas mãos, será entrevistado por David Frost (um apresentador de programas de auditório). Sabe o foda disso tudo? Além de ser baseado na história política dos EUA, foi adaptado de uma peça de teatro. Como deixar um enredo desses, que já parece ser entediante (filme sobre entrevista? Como assim?), vindo de uma peça teatral ainda, ser… assistível? hahaha. Pois bem, por isso que contesto o prêmio de Roteiro Adaptado, pois ele foi maravilhosamente adaptado.

Misturando os bastidores da televisão com depoimentos dos personagens ao longo do filme (dando um ar de documentário), mostrando as duas partes da história e, enfim, nos revelando as ambições de Frost e Nixon, temos um verdadeiro duelo de dois homens, que culminará na famosa entrevista. Ela foi gravada em quatro dias e só terá um desfecho no seu último minuto. Frost/Nixon é simplesmente um grande filme – se você não gosta de política, não tenha medo, pois ele é extremamente humano; estamos falando de dois homens e não de dois presidentes em um embate político. No mais, as piadinhas que permeiam todo o filme (principalmente no final), são fodas.

Particularmente, gostei mais de Frost/Nixon do que de Slumdog :P Mas é natural o público ter aclamado mais o último. Agora, se o  Oscar dependesse de mim hahaha. Aliás, concordam comigo que a premiação desse ano foi mais previsível que a do ano passado (quem achava que Onde os Fracos Não Têm Vez não levaria o Oscar – mesmo Sangue Negro merecendo mais – é retardado)? Enfim, pra falar a verdade as principais surpresas pra mim mesmo foram somente Melhor Atriz Coadjuvante e Melhor Filme de Língua Estrangeira. E sobre os indicados, como eu já disse, tivemos uma seleção relativamente fraca. Mas há ainda alguns filmes que eu não assisti e que realmente me deixaram curioso: Wall-E (sim, eu não vi e sei que deve ser ótimo), Dúvida (não tão aclamado, mas tem o Philip Seymour Hoffman – um dos meus atores preferidos), Valsa com Bashir (me lembrou Persépolis, que eu também quero ver) e O Lutador. Em um futuro próximo vocês verão eu comentando eles aqui :P

Saindo um pouco dos oscarizados, essa semana assisti Match Point. Só uma coisa: SCARLETT JOHANSSON AGAIN (L) (L) (L). Sabe, atriz mais sexy e tal, amrö puro. Ok ok, sobre o filme: um professor de tênis faz amizade com um aluno seu, que é ricaço. Ambos tem em comum o gosto pela ópera. Ele convida seu professor para assistir a uma e o outro conhece a família do rapaz. Aí é um passo para marcar jantar na casa do ricão, conhecer a noiva dele, conhecer a irmã dele, e bem… O resto você pode imaginar. Quer dizer, marromenos! A primeira parte do filme é previsível mesmo. Mas atente para o livro (cuuuult) que Chris (o tenista) está lendo no início. Não direi qual é, mas o assunto dele é, claramente, uma grande influência para toda a segunda metade do filme. E é excelente! Um desfecho no ponto certo, realmente inesperado. Acabou que eu gostei muito. Aliás, ultimamente só ando assistindo filme bom… Preciso ver uma merda pra dizer que não gostei, senão fica muito repetitivo isso aqui auhahuahua

28matc_1_650

Ok, última vez falando bem de um filme: Tiros em Columbine. Hoje aluguei três: esse, Quero Ser John Malkovich e De Olhos Bem Fechados. Só assisti o primeiro, por enquanto. Você sabe de quem é, né. Michael Moore, Fahrenheit 9/11, documentários polêmicos, enfim. O cara é foda e mostra aquilo que grande parte do público não conhece. Tiros em Columbine fala sobre a venda armas nos Estados Unidos. Aborda também suas conseqüências, como a própria matança que ocorreu em Columbine (retratada, incrivelmente, no perturbador Elefante – um dos melhores filmes que já assisti). Vemos aqui uma sociedade americana temendo tudo e todos, não querendo o intermédio policial – eles querem fazer justiça com suas próprias mãos. Mas que tipo de justiça? Deixar exposta uma arma em casa, quando suas próprias crianças podem pegá-las e simplesmente assassinar seus colegas de classe de 6 anos? É um dos casos que Moore nos revela. E é claro que também temos a participação da mídia no filme (particularmente, a parte que eu mais gostei). TV’s que noticiam apenas crimes, muitas vezes (ou melhor 90%) cometidos por… negros? Sim. Moore observa que o preconceito racial, tanto com negros, como com hispânicos, está até mesmo nos noticiários. Crimes cometidos por eles estão muito mais em evidência do que os da raça caucasiana, por exemplo. E, assim, podemos ver absurdos, como o caso do afogamento do bebê, retratado no filme. A mãe o mata (claramente), mas põe a culpa em um negro inocente. E todos acreditam.

Tiros em Columbine é um filme tapa na cara, sarcástico e bem ao estilo Michael Moore. Espere aqui boas entrevistas, pequenos filminhos de animações explicando temas sérios e o Marilyn Manson. Eu achei foda. Deu até mais vontade de ser jornalista :P

Parte de filmes acabou, amém. Vou comentar brevemente sobre os livros porque não encher o saco aqui. Depois de terminar o livro do Saramago, peguei A Legião Estrangeira, da Clarice. Nele, temos muitas coisas boas, como Tentação, Os Desastres de Sofia (talvez meu conto preferido da Clarice, junto com Amor), Evolução de Uma Miopia… Mas também li os primeiros textos da Clarice que eu definitivamente não gostei. A Galinha e o Ovo é bem tosco o.o Mas enfim, eu ainda gosto dela hahahaha

Peguei também um livro de contos russos. Salada Russa era o nome e reunia textos de Púchkin, Liérmontov, Turguêniev, Tolstói, Garchin, Tchêkhov, Gorki, Grin (ufa rs). Huum, Turguêniev e Tchêkhov foram os que eu menos gostei, mas me surpreendi muito com Gorki e Grin. O primeiro tem uma escrita diferente, mais “pra dentro”. E o segundo possui as idéias mais originais. O resto dos escritores são muito bons, claro. Todos se baseiam em uma idéia de final trágico para um romance, e geralmente os desfechos são bem inesperados. E agora eu tô aqui com Os Prisioneiros, mais contos do Rubem Fonseca. Tô lendo histórias curtas porque não quero pegar um romance antes da minha professora de História me emprestar um livro. Segunda vou pra escola recolher meu Dia do Curinga de volta e aí veremos o que ela me traz hahaha.

E é isso. Carnaval acabou e eu só saí sexta-feira pra encontrar com meus amigos que também não tavam fazendo nada. Mas ano que vem eu entro em um bloco :D

Uma coisa que anda me incomodando nos últimos tempos é essa falta de inspiração. Faz tanto tempo que eu não escrevo… Lá por dezembro fiz três pequenos textos, numa microssérie chamada Teia. Era formado por Recreio, depois Convites e terminava com Terno. A idéia até que é boa, mas eu não tava inspirado na hora que escrevi. Só fui notar depois, é claro. Então não publiquei. Pretendo reescrever outra hora, porque não quero desperdiçá-los.

Esse mês andei ouvindo muito My Dying Bride e isso, inevitavelmente, foi minha influência para Animalização I e II, que escrevi agora, em fevereiro. O I ficou ridículo, então acabei publicando o II no blog. Acho até que vou deixar lá mesmo, mas eu, definitivamente, não gostei dele e sei que não é bom. Ando esperando pela inspiração, e sei quando ela virá: cursinho. As aulas sempre me inspiraram muito. E eu preciso mesmo terminar o Quanto ao Tempo. No início, nunca achei que fosse demorar muito. Comecei a idéia em junho e lá por julho a escrever. Aos poucos, em outubro, eu já tinha um capítulo pronto. Todos já tinham, pelo menos, um início. Porém, nesse tempo, comecei a ler algumas coisas e minha escrita mudou MUITO (vide o último texto que eu fiz, Cortando Palavras e Guardando as Sobras). Isso acabou influenciando nas minhas idéias também, e tudo que eu tinha sobre o Quanto ao Tempo me pareceu ridículo (inclusive o título, que era outro – e eu não vou falar porque é tosco pra caralho auhahuahu). Foi como recomeçar do zero. Agora tenho todas as idéias prontas e realmente espero terminá-lo até a metade desse ano. Nunca foi minha intenção demorar tanto nele e também não será. Mas, de certa forma, o tempo foi bom e eu realmente espero construir meus melhores textos no Quanto ao Tempo =)

Galere, é isso. Espero voltar logo, ou assim que der. Hasta

Listening: Yeah Yeah Yeahs – Little Shadow

obs: fiz um Twitter. COISA MAIS VICIANTE DOS ÚLTIMOS TEMPOS FLW. Capas que não tô contando MINHA VIDA lá auhahuahuahu

Exaustão

23/02/2009 por Dom Quixote

Olá, monstros. É, eu sei que falei que ia postar mais frequentemente e acabei demorando bem mais do que na ultima postagem ahuahuauh mas foda-se, ficar se cobrando em blog é o cúmulo e eu vou parar com isso nos próximos posts :)

Bem, se da última vez eu já não lembrava muito do que aconteceu, que dirá agora. Pra quem não sabe, minha memória é realmente fraca, mas vamos lá. No geral, minhas férias têm sido uma bosta. Bosta mesmo. Pra piorar, tive um surto e resolvi apagar todos meus scraps. A conclusão foi ter que ler todas as mensagens trocadas nas férias de 2008, 2007 e 2006 e notar que… EU ERA MAIS FELIZ! auhahuahuahu Foi triste notar isso, mas tudo bem. Como eu ando dizendo pra todo mundo, logo começa meu cursinho e finalmente terei uma cabeça ocupada. Algo pra fazer, enfim. O curioso é que eu falava isso no ano passado, lá por maio. Tsc, tsc…

Socialmente falando, tivemos o acontecimento do século desde o último post: meu aniversário. Lá vou eu relembrar meu passado, vendo como tudo era mais bonito e legal, pra comparar com o desse ano:  churrasco com minha família e uns amigos… dos meus pais. ¬¬ Foi uma bosta, porque naquela época a maioria dos meus amigos tavam na praia, então nem rolava de fazer um churrasco entre nós.

Outro dia desses a gente (minha família e os mesmos amigos do meu pai que tavam no churrasco) foi fazer um pique-nique (risos felizes) numa pseudo-praia que tem aqui perto (pros meus amigos que tiverem lendo isso: SIM, TUNAS! AUHAHUAHUA). Ah, eu tava com mó cara de cu no início, mas foi bem legal. Principalmente porque eu reaprendi a jogar canastra, coisa que eu tinha esquecido com o tempo. E a comida tava boa :B

Nesse meio tempo, acabamos fazendo dois reencontros da nossa sala de aula (é triste ter que chamar seus amigos de ex-colegas agora :/). Um foi na casa de um amigo daqui… e outro foi de uma amiga em outra cidade. O primeiro encontro eu falei no último post. Já esse segundo, que foi em Dona Francisca, foi ótimo! Primeiramente porque minha ex-professora de História estava lá. Segundo, porque a ex de Sociologia também (então, foi na casa dela o churrasco :P ). Ou seja, duas matérias que eu passei a ficar fascinado nos últimos tempos e simplesmente não tive tempo de conversar com elas durante o período escolar. Acabou que debatemos alguns assuntos, mas eu ainda queria mais encontros. Mas beleza, amanhã vou reencontrar a professora de História na escola. Ela vai me devolver O Dia do Curinga, livro que emprestei pra ela. Daí a gente bate um outro papo :P E no mais, esse churrasco foi muito muito bom. Poucos amigos foram, mas deu pra garantir MUITAS risadas. Ahhh, essa gente bêbada me faz passar cada vergonha ahuahuahuahu

E bueno, semana passada marcamos uma janta com ex-colegas do cursinho. Isso inclui também uma ex-colega minha de aula, então foi uma oportunidade pra relembrar a escola também. Acabou que só três pessoas foram (e, por isso, marcamos uma nova janta para a próxima semana). Mas foi muito bom. Eu realmente tava sentindo falta não só de sair, mas de encontrar aquelas pessoas. Porém, no final da noite eu senti simplesmente que um ar de tédio ainda pairava aqui no quarto. Preciso MESMO de uma dose extra de diversão pra espantar essa cara de marasmo que eu tô desde sei lá quando. Sinto falta de ir nas boates e reencontrar todo o povo junto… Encontro sempre apenas uma parte. Mas em breve as coisas melhorarão – não só vão, como têm que.

Uma coisa que anda me distraindo nessas pacatas férias são as leituras bizarras que eu encontro na biblioteca. Me refiro ao Saramago. Mas antes, tenho que dizer que terminei Budapeste. Meu. ÓTIMO livro. Te coloca algumas confusões no início, pra poder explicar lá depois. E o Rubem Fonseca o elogiou com total razão. Gostei muito mesmo. E vocês sabiam que vai virar filme? Eu vi o trailer e não gostei muito não. Mas vai que não sai coisa boa? Trailer muitas vezes engana. Se quiser dar uma olhada, clica aqui, monstro. O filme sai em abril desse ano.

Depois de Budapeste, peguei rapidamente A Via Crucis do Corpo, da Clarice. Livro pequeno pra ler em dois dias. E é MUITO diferente dos outros dela. Primeiro porque são contos “encomendados”: ela já tinha uma base pronta e apenas a desenvolveu melhor. Segundo que a temática de todo o livro é o sexo, em suas diversas formas. Tem coisas magníficas aqui, que eu nunca imaginei que leria vindo da Clarice. Pra quem é fã dela, a leitura de A Via Crucis é mais do que essencial pra notar toda a sua diversidade na escrita.

Logo após, Saramago. Eu já tinha pegado Ensaio Sobre a Cegueira na biblioteca, então eu sabia da existência dele por aqui. Foi tão bizarro a primeira vez que vi aquilo. A biblioteca daqui anda evoluindo o.o Tem muita coisa boa. Acabei pegando A Caverna. Dei uma lida na sinopse e fiquei muito animado com o que vi. Terminei ele hoje. Cara, sabe o Mito da Caverna, do Platão? É, aquele negócio do povo aprisionado na caverna e só podendo ver as suas sombras. Então, alguém se liberta, sai da caverna, e é quase cegado pelo Sol lá fora – esse é o maior representante da vida. O cara descobre o mundo, volta para a caverna e conta para os outros prisioneiros. Eles não acreditam em uma palavra e o matam. Resumidamente, é isso. O livro trata do mito de forma mais moderna – daí o meu interesse. É ótimo, mas ainda prefiro Ensaio Sobre a Cegueira. Ele é um pouco vagaroso até chegar nos finalmente, mas dá para notar que o Saramago aprofunda ainda mais os relacionamentos humanos que permeiam a obra.

gwyneth_paltrow_luke_wilson_the_royal_tenenbaums_001

E filmes? Vi tantos. Peguei uma tarde pra ver dois que eu tinha gravados desde o ano passado e não tinha visto até hoje. Coisa que eu baxei nas férias de 2008 o.o Eram Os Excêntricos Tenenbaums e O Escafandro e a Borboleta. Ambos muito bons. O filme dos Tenenbaums é uma comédia repleta de humor negro. Vi com um amigo meu outro dia e ele não riu muito, mas tudo bem hahaha O filme não instiga muito a isso. Mas seus personagens são tão bizarros e surreais que não tem como você não se apaixonar por eles (Gwyneth *_______*). E O Escafandro e a Borboleta é um filme de extrema sensibilidade. Sabe a sinopse, né? O editor da revista Elle sofre um derrame e a única parte do seu corpo que ainda se movimenta é seu olho esquerdo. A partir daí, o filme brinca (principalmente no começo) com a situação, quando a câmera “tira” e “retira” a lente para imitar a piscada do olho, por exemplo. Ou quando ela se desfoca, imitando o choro do protagonista – que, aliás, é extremamente sarcástico para a sua triste situação. E é isso. Quer saber como que o cara vai conseguir aprender a escrever apenas com o olho esquerdo? Então assiste, que vale a pena :P

Assisti também um dos melhores filmes: Cidade dos Sonhos. David Lynch. Conhece? Então. Confusão, roteiro complicado, cenas de lesbianismo, Naomi Watts. Tem como não curtir? Ahuauhahua. Sério, eu realmente não sei o que falar desse filme. Ele é LOUCO. Provavelmente entra no meu Top5 de filmes preferidos. Sei que não convenci ninguém escrevendo isso, mas dêem um crédito de confiança a mim e vejam ele hahaha.

mulholland-drive4

E, pra finalizar, de filmes interessantes, eu ainda assisti Ensaio Sobre a Cegueira. Tava querendo fazer um post só dele, mas a preguiça é imensa. Vou deixar em aberto isso aqui e tentar fazer essa semana.

É, vou atualizar isso mais freqüentemente. Até essas férias tediosas são complicadas de se contar quando você perde 20 e tantos dias dela. No mais, essa semana apareço de novo. Até porque o Oscar tá rolando agora, sabia? Tentei ver todos indicados a melhor filme antes da premiação, mas não deu certo. Consegui ver Slumdog Millionaire (que, muito provavelmente, vai ganhar a estatueta hoje) e Revolutionary Road (que só concorre a melhor ator coadjuvante, mas eu gostei da sinopse e o diretor é o mesmo de Beleza Americana). Algo me diz que vou gostar muito de Frost/Nixon. Sabe, história e tudo o mais. Mas enfim, a premiação anda tão previsível ultimamente…

É isso. Tô exausto de não fazer nada, então esses posts, conseqüentemente, são afetados por conta disso. Juro que volto mais interessante da próxima vez. Hasta.

Listening : nothing :P

Bad movie scene

01/02/2009 por Dom Quixote

Faz tempo desde a última vez que eu postei o.o Prometo não me descuidar mais do blog hahahah

Bem, aconteceram algumas coisas. No geral, dá pra dizer que as férias têm sido… legais. Nada muito além disso. Semana passada teve um churrasco na casa de um (agora ex-)colega meu. Boa parte da sala tava lá, mas alguns já estavam viajando para a praia. Mesmo assim, tava ótimo :D Fizemos milhares de rodadas de dorminhoco hahahah É, deu pra se divertir. E acordar com uma dor de cabeça imensa no dia seguinte :/

O que mais? Isso que dá ficar tempo sem postar, esqueço tudo. Bom, pra variar meu irmão veio em casa novamente e, pra variar mais um pouco, ele trouxe uma nova leva de filmes pra gente assistir. Vi Podecrê!, uma produção nacional (ele ama filmes nacionais). O nome é bobo e o filme também é bobo, mas bem interessante. É ambientado no Brasil década de 80. Se passa num colégio e é, definitivamente, mais inteligente do que qualquer American Pie da vida. Mas nada que mereça muito destaque… Ah sim, tem a Maria Flor no elenco *-* Assisti também Houve Uma Vez Dois Verões, que eu queria ver já faz um tempo. Motivo: dirigido pelo Jorge Furtado. Esse cara é foda. Simplesmente fez um dos melhores filme que já vi – o melhor nacional também: O Homem Que Copiava. Como é costume do Furtado, Dois Verões tem diálogos inteligentes e um roteiro traiçoeiro. Várias e várias reviravoltas em torno de uma comédia adolescente. Mas não se deixe enganar por esse rótulo. Buenas, assisti também Vicky Cristina Barcelona. Woody Allen e tudo o mais. E… Scarlett. Ahh, Scarlett. Depois falo mais dela. Sobre o filme: eu sabia bem como seria o clima dele. Leve, divertido, nada de revolucionário ou coisa do tipo. Não é o melhor filme que eu já vi, mas é um que eu recomendaria para todos. É gostoso demais de se ver (literalmente, vide a cena do beijo lésbico da Scarlett com a Penélope Cruz *___* ok, ok).

scarlett_johansson_and_javier_bardem_vicky_christina_barcelona_movie_image

Nossa, pensando bem, eu REALMENTE vou começar a postar com mais freqüência aqui, porque tô esquecendo de tudo hahaha. Bom, voltando a falar da Scarlett: assisti Encontros e Desencontros (ou Lost In Translation, título mais bacana pro filme). Queria vê-lo faz tempo… Foi indicado ao Oscar de melhor filme e tudo mais. Enfim: me apaixonei pela atuação da Johansson. O roteiro do filme é simplesmente o de um romance. Scarlett conhece Bill Murray em um hotel no Japão. Ela tem acompanhante, ele está fugindo da esposa. Os dois se encontram e passam a divertir-se na cidade que até então causava muita estranheza aos dois. Como já disse, o roteiro é simples. O que torna o filme bom – e leia-se aqui como também um dos melhores que já vi – é a atuação tanto do Bill Murray como da Scarlett Johansson. Eles realmente conseguem trazer a vida necessária aos personagens e são extremamente convincentes em seus papéis. Isso sem contar a beleza do Japão, evidente em todo o filme. Recomendo.

Seguindo a lista de filmes (sim, eu realmente tô assistindo litros de coisas nas férias), alguns amigos vieram em casa em um dia desses e vimos vários. Entre eles, Sexto Sentido. Sim, me matem, mas eu nunca tinha visto esse clássico. E me arrependo. O tempo dele, de certa forma, já passou. Ok, o filme é bom, sim, mas sempre diziam que o final era extremamente inesperado e tudo o mais. Hoje em dia, não é. Por quê? Porque vários filmes atuais copiam esse final! Bem, pelo menos agora eu sei de onde é a origem dele. E se eu tivesse assistido Sexto Sentido um pouco antes, com certeza me surpreenderia mais com ele. Outro que vi foi Edukators. Ahá, aí sim temos um exemplo de um filme foda demais. Eu não esperava muito dele – quer dizer, eu sabia que ia ser bom. Faz o meu estilo: drama com adolescentes (leia-se Elephant, Paranoid Park, enfim). Mas Edukators foi muito além do que eu esperava, pois ele trata exatamente do assunto que anda me vidrando nos últimos tempos: política! Sim, o filme é cheio de ideais políticos e revolucionários e faz o questionamento, que pra mim, é o maior de todos: até onde isso tudo é válido? Até onde nossos ideais persistem? Será isso tudo uma grande bobagem, fruto apenas de falta de atenção dos “grandes”? E qualquer filme que me traz questionamentos – interessantes, óbvio – já entra na minha lista de preferidos. Este trouxe. Edukators é foda.

Bueno. Pulando um pouco o cinema, vamos aos livros. Terminei de ler A Paixão Segundo G.H., da Clarice (o livro que eu vou dar para minha amiga, de presente, mas que eu tive que verificar antes se era bom ou não hahaha). Ó: melhor livro dela. Acho que gostei até mesmo mais do que o Perto do Coração Selvagem. Ele é muito parecido com A Metamorfose, do Kafka. E a Clarice escreveu nesse coisas muito interessantes. Tem que mergulhar mesmo para entender e ler tudo de uma vez. Aaah, Clarice (L).

Semana passada fui na biblioteca naquela de querer devorar tudo que tenha lá antes que eu vá embora (mas não vou, depois falo mais disso). Peguei Romance Negro, do Rubem Fonseca. Bem, Rubem Fonseca é o meu autor preferido, ao lado da Clarice Lispector. Preciso dizer que o livro é foda? Sim, preciso. O forte do RF são os contos. E aqui ele se sai muito bem relatando o bizarro vegetariano que passa a comer peixes. O enfermeiro que compartilha segredos demais com seu paciente. E o conto que dá nome ao livro, Romance Negro, sobre um escritor que tem uma espécie de “dupla personalidade”. Não é exatamente dupla personalidade, mas não vou falar muito mais para não estragar esse, que é o melhor conto que já li do Rubem. De longe, o mais complexo também. Me surpreendo sempre com esse cara.

Quando eu disse que não ia mais sair daqui, é porque eu não vou mesmo (!). No último post, disse que recebi uma proposta de dividir um apartamento com um amigo na cidade que farei o cursinho. Optei pela manhã porque sei que para mim é melhor. Sei que meu corpo é mais habituado a esse horário e que é nele que rendo mais, tenho maior concentração, enfim. O problema é pegar ônibus as 6:00, né? Ou pior, porque as aulas começam às 7:05, então teria que ser uma linha antes :S Por essas e outras, morar lá seria melhor nesse sentido. E, realmente, estava tudo certo em dividirmos um apê. Até que minha mãe conversa com outra mãe, da minha melhor amiga, mais especificamente. Ela (a amiga) me propôs, no meio da semana, em também dividir apartamento. Bem, eu sinceramente prefiro morar com ela hahah. Mas, um dia depois, ela conversou com a mãe dela e parece que agora ela vai de ônibus, mas de noite. Então, essa mãe conversou com a minha e explicou que não dividiríamos apartamento e tudo o mais. Explicou, também, sobre gastos e tal. Minha mãe se convenceu de que não valia a pena morar lá.

No início, fiquei um pouco decepcionado. Mas agora, percebi que vai continuar a mesma coisa. Vejo também que todos meus amigos farão cursinho de noite. Acho que só eu vou fazer de manhã hahah. Terei que acordar cedo? Sim. Mas o anual manhã oferece mais recursos, e é nisso que eu estou pensando. Outra coisa é que talvez, no segundo semestre, eu vá morar lá. Foi o que as duas mães estavam pensando. Enfim, esperar pra ver.

Ok, voltando aos livros. Há muito tempo atrás, em minhas andanças pelos grandes mercados com suas partes literárias, eu viajava vendo aqueles milhões de livros sem poder comprar nada. Um me chamou a atenção, pela capa. Toda preta, com as letras de cor de “pintura”. Era Amor É Prosa, Sexo É Poesia, do Arnaldo Jabor. Na época, eu era n00b e nem me interessava muito por política. Apenas sabia que esse tio era comentarista no Jornal da Globo. Enfim, demorei, mas comprei o livro lá por agostou ou setembro. Emprestei para uma amiga e ela só me devolveu em dezembro. Por isso, adiei a leitura. E foi nesse tempo que comecei a me interessar mais por política. De certa forma, até me arrependo de ter algo do Jabor na minha prateleira, mas tudo bem hahaha. Estamos falando de literatura, não? É diferente de política, então prefiro ter a imagem do Jabor como um escritor. Sobre o livro: não terminei de ler. Parei. O cara escreve muito mal. Meu, alguém ensina que frase não pode ter dez vírgulas e dez temas diferentes, pelamor. Li apenas algumas crônicas e gostei apenas de três. Alguns me constrangeram. Quem quer saber da infância dele? Desculpe, não me interessei muito pelas histórias dele com o seu avô. Falar a verdade, melhor crônica até agora foi a que falava da bunda da Juliana Paes. Ele deu uma viajada interessante nela. Curti.

Maaas, tive que largar de mão, né. Deixar pra terminar outra hora, porque a escrita dele me irrita. E, como já disse, dá um pouco de vergonha de ter algo do Jabor aqui hahaha. Buenas, depois que parei de ler Amor É Prosa…, peguei hoje o Budapeste, finalmente. Leitura agradável do Chico Buarque. Tô gostando. E agora que vou ficar aqui e não preciso mais devorar a biblioteca local, posso aproveitar e comprar alguns livros agora para aproveitar as férias. E durante o ano letivo, ler o que tem por aqui mesmo =)

Bem, é isso. Tenho mais alguns filmes para comentar, mas vou deixar para depois porque pelamor, isso aqui já tá uma bíblia. Assisti Ensaio Sobre a Cegueira. E o texto é longo. Então, deixo para a próxima. E olha, faltam 45 minutos pro meu aniversário :) Tava sem inspiração ultimamente, mas esse momento nostalgia de completar 18 anos traz idéias pra textos na minha cabeça. É inevitável hahaha essas datas simbólicas sempre trazem alguma inspiração. Buenas, até a próxima. E sem demoras!

Listening no mp3, bem alto: Bloc Party – Halo

História da história

20/01/2009 por Dom Quixote

foto-pro-blogEnfim, a história da história, o post tão esperado, o motivo que me faz escrever nesse blog.

Confesso que sempre crio blogs e os excluo por não conseguir mantê-los. Sempre assumo um compromisso maior do que eu mesmo posso cumprir e daí fode tudo. E também confesso que fiz esse blog com o único intuito de mantê-lo por um ano – durante o meu ano. O meu ano de pré-vestibulando. E confesso que estou curiosíssimo sobre como olharei este blog no futuro – será que vou rir de tudo que escrevi? Será que vou rir de todas as coisas que eu relatei aqui? Ou será que chegarei até mesmo a chorar relembrando as coisas que o tempo me fez esquecer? É isso que eu quero responder. E o futuro me interessa, muito.

Confesso que, agora, neste momento, não sei do que será meu futuro. Na verdade, sei apenas de duas coisas: que estudarei, de alguma maneira. E que farei Jornalismo. Quer dizer, eu acho. Na verdade, é o que eu vivo repetindo (pra mim e pros outros): é a única coisa que eu sei fazer. Até então.

Porque ultimamente tenho tido uma imensa vontade de cursar… História! E confesso que tive influências. A melhor professora que tive na escola era de História. Mas com ela era diferente: digamos que eu gostava muito mais dela do que da matéria. Até então, eu apenas “curtia” História. Até que vieram as aulas do cursinho. Os professores loucos. Coisa-qui-a-genti-nunca-viu-aqui. E novas aulas, novos conceitos. E o melhor professor do cursinho era de que matéria? Bingo. Mas aí está a diferença: sim, eu gostava do professor. Ele era engraçado e muito gente fina. Mas ele me fez gostar da matéria. Ele realmente passava a idéia da paixão pela profissão que ele tinha. E eu definitivamente comecei a prestar mais atenção na História do mundo.

Confesso que não tenho realmente certeza se quero fazer ainda a faculdade, pois minha paixão pela História ainda não é total – eu, na verdade, gosto mesmo apenas da História Contemporânea. Se eu a fizesse, seria apenas como hobby. Não pretendo atuar como professor ou mesmo historiador. Enfim, tenho metas: me formar em Jornalismo e me especializar ou na área Econômia ou na área Política. Ou nos dois. E fazer História (ambigüidade detected hahah). Ah, não sei, mas isso me deixa feliz. Sei apenas que há um ano atrás eu não tinha idéia do que fazer da vida (eu pensava em fazer faculdade de Publicidade e Propaganda, hahahahah). Agora já tenho um futuro para alcançar. E é sempre bom isso. É sempre bom nunca estar satisfeito. E querer o “algo mais”. Sempre.

Bueno,  depois de um breve momento oi-vou-contar-minha-história-de-vida-para-mim-mesmo (afinal, a quem isso interessa? A MIM! NO FUTURO! hunf), vamos ao cotidiano que, novamente, só interessa a mim.

- Tentei ver Zeitgeist II: Addendum hoje e não consegui. Droga.

- Terminei de ler A Paixão Segundo G.H. Ainda não o absorvi. Mas acho que é meu livro preferido da Clarice. Me arrepiou tanto quando Perto do Coração Selvagem. E essa semana o darei a quem pertence (sim, o livro é um presente! com dedicatória e tudo hahaha).

- Recebi um convite para dividir apê com um amigo meu, ex-colega e etc. Aí que tá: eu deveria destacar essa notícia e fazer um belo drama sobre ela, mas ainda não direi nada. Pois não sei se isso dará certo. E talvez venha mais gente. Veremos, veremos, depois contarei melhor sobre isso.

- E caso eu realmente vá morar em um apartamento lááá em Santa Maria (a cidade do meu cursinho – onde eu já me inscrevi para fazer o anual manhã), eu somente voltarei para casa aos sábados a tarde. Porque eu ainda tenho aula de manhã, nesse dia. E, conseqüentemente, isso me afeta no sentido de…

- Ter que começar a ler todos os livros da biblioteca municipal que tem aqui. Ok, eu tenho CERTEZA que lá na outra cidade também tem uma biblioteca, e muito provavelmente com o dobro da que tem aqui. Mas sei lá, deu vontade de aproveitar a “minha” até o fim, sabe? Vontade de ler tudo o que eu deixaria para ler no meio do ano. Mas como não vai dar para vir dia de semana aqui pegar os livros, o farei nas férias. E Budapeste, Deu no New York Times, Amor é Prosa, Sexo é Poesia ficam para depois.

- PRECISO VER FILMES ENQUANTO HÁ TEMPO!

Ok. Mais um post que interessa apenas a mim. No mais, amanhã tem uma janta de reencontro da nossa turma (anta, se você não percebeu, eu me formei ano passado). Vai ser legal, mas algumas pessoas eu já sei que não poderão ir :/ E quinta-feira faremos um madrugadão aqui em casa, eu e meu amigo que talvez vá morar comigo lá na outra cidade. Depois conto melhor.

Obs: alguém tá assistindo BBB? Impagável a primeira semana, conseguiu sair do marasmo que estavam as últimas edições. Ah, se você é um pseudo-intelectual que diz que BBB é porcaria pro povo brasileiro e mente dizendo que não vê, só digo uma coisa: saia desse ócio e vá arranjar novos amigos. Todos sabemos que você está precisando.

É isso! Tchau, monstros.

Listening: Autumn – Epilogue (What’s Done Is Done)

In this cascade of memoriiiieeeessss

First breath after coma

18/01/2009 por Dom Quixote

FÉRIAS! FÉRIAS, ENFIM, AMÉM, ALELUIA IRMÃOS!

Sobre o vestibular e minhas considerações que eu SEI que vocês tão loucos pra saber (publicidade no blog, dobro de visitas qq6ashao): não passei. Tampouco afoguei minhas mágoas na bebida. Tampouco estou triste, emo, gótico ou o caralho a quatro. Seguinte: a prova tava fácil e eu fui muito melhor do que eu imaginava que fosse. É óbvio que se contentar com ir bem e não passar é ridículo, mas… eu não sou? Claro que sim :D Faltaram 8 pontos para eu atingir o ponto de corte. E atingir o ponto de corte, como vocês sabem, não é garantia de passar. Tu precisa fazer, no mínimo, mais uns 10 ou 15 além dele. O problema foi Matemática e Biologia, matérias que eu REALMENTE fui mal (abaixo da média mesmo). As outras, ok. Umas realmente bem, outros apenas um pouco acima do normal.

Se eu vou passar ano que vem? Com certeza. E esse ano é que tá sendo o dilema: o que fazer? Já me matriculei em um cursinho que tem em outra cidade, que é realmente bom e tal. E eu já conheço alguns professores de lá também. Ainda paira a questão de como irei até lá ou se me mudarei para outra cidade. Mas isso é assunto para outro post.

Buenas, algumas coisas que não disse desde a última vez que postei: a viagem para Porto Alegre foi ótima. Acabei comprando o 1001 filmes para ver antes de morrer. Confesso que me decepcionei um pouco pelo fato do livro ter mais da metade das páginas dedicadas a filmes da década de 20/30/40/50. Ok, os maiores clássicos se encontram ali, mas eu esperava ver mais dos anos 70/80/90/00. Mas enfim, a compra valeu a pena.

Outros dois livros chegaram aqui: Budapeste e A Paixão Segundo G.H., que darei a uma amiga. Bom, depois de eu ler ele UHAHUAU ok, é mau-caratismo fazer isso? Aah pô, tô com livro da Clarice aqui e vou deixar ele passar em branco? Eu ia pedir emprestado depois mesmo… E ela vai ler isso aqui e vai rir de mim hahahah. E Clarice é fantástica, tem nem o que falar… Geralmente devoro os livros dela em poucos dias e esse aqui não tá sendo diferente. Amanhã mesmo pretendo terminá-lo e começar o Budapeste. E após, enfim, reiniciar a leitura de um livro jornalístico que ganhei de formatura de uma ex-professora. Falo mais dele depois.

De resto, hoje foi, ‘oficialmente’, meu primeiro dia de férias. Assisti Trovão Tropical com um amigo. Comédia com o Ben Stiller (que eu não gosto muito), Jack Black e o Robert Downey Jr. Justamente por ser dirigido e protagonizado pelo Stiller, eu normalmente não olharia. Mas o filme recebeu boas críticas (principalmente para o gênero comédia, que ultimamente só vem decaindo), então assisti. E gostei! Realmente, é bom e tem ótimas tiradas com os astros hollywoodianos. Curti mesmo.

Tenho mais coisas pra falar, afinal, ainda nem disse tudo que anda passando pela cabeça ultimamente. Volto logo. Cuidem-se, caros leitores.

Listening: Saosin – Voices